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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Queda da Bastilha

Ontem comemorou-se 220 anos da queda da Bastilha (14 de julho de 1789), que foi o auge da revolução francesa. Eu sou uma pessoa extremamente pacifista, mas a revolução francesa, pra mim, é talvez a mais justificável das guerras (em empate com a reação dos aliados a Alemanha nazista). Os ideais da revolução: libertar o povo do absolutismo, do feudalismo e da idade das trevas imposta pela religião e pelos reis absolutistas foi algo extremamente nobre. Uma causa pela qual foi muito importante lutar (literalmente). Esta revolução não representou somente a liberdade aos franceses, mas ao mundo todo. Liberdade política e de pensamento. Ocasionou o iluminismo. Uma retomada do pensamento científico e cultural e da democracia, abandonados desde os tempos em que o império Romano havia subjugado a civilização grega e estabelecido o militarismo e o misticismo como valores maiores uns 2000 anos antes. Por isso eu saúdo nesta data esta grande revolução. Respeito a França e sua história. Parabéns aos franceses e a todos que acreditam em democracia, ciência, cultura e liberdade nesta data, por nos ajudarem a viver em um mundo mais iluminado que o de 220 anos atrás.

Liberté, égalité, fraternité!

Nota: O quadro é de Jean-Pierre Houël e retrata a queda da Bastilha e (ao centro) a prisão de seu então governador Jourdan de René de Bernard, marquês de Launay.

quinta-feira, 27 de março de 2008

O Mundo Dá Voltas



Há menos de um século, a Índia era uma colônia do Reino Unido. E agora, a indiana Tata Motors acaba de comprar as duas grandes marcas britânicas Land Rover e Jaguar. Interessante.

Falando em Reino Unido, ontem eu vi na BBC a visita do presidente Francês Sarkozy a Rainha da Inglaterra. Apareceu até a rainha fazendo um discurso sobre a amizade entre os dois países. Legal. Foi a primeira vez que eu vi a Rainha dizer alguma coisa. Usava uma coroa e tudo. É bem fascinante ver essas tradições meio que medievais ainda existirem em meio ao mundo "moderno". Como prova de amizade, o Sarkozy disse que vai mandar mais tropas para o Afeganistão. É, a guerra é outro costume medieval que insiste em nos acompanhar no mundo "moderno".

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Paris, O Retorno

Pelas circunstâncias, voltei a Paris pela segunda vez em menos de um ano. Vou comentar aqui apenas o que fiz de diferente desta vez, já que existem três posts bem completos sobre a minha primeira visita à cidade aqui, aqui e aqui.

Continuo achando a cidade simplesmente sensacional. É difícil achar um prédio "mais ou menos" em Paris. Todos os prédios e lugares são muito bonitos. É realmente incrível.

Voltei ao Louvre. Sempre bom rever um lugar como aquele. Dessa vez, por exemplo, encontrei uma escultura que, vista de costas parece uma bela mulher deitada, mas quando se olha a escultura de frente percebe-se que se trata de um hermafrodita. Interessante, e um embuste. Muitos quadros e esculturas poderiam ser observados por horas em busca de detalhes interessantes. O museu é realmente fascinante.

A torre Eiffel é outra visita obrigatória para quem vem a Paris pela primeira vez, que era o caso da minha irmã. Lá fomos nós. Mas com duas novidades. A primeira é que pude curtir o visual da torre a noite. Muito bonito. e a segunda é que, já na fila para entrar comecei a sentir um mal estar que me levou a bater o récorde de excreção em altura. Parece que o banheiro lá do topo da torre teve que ser interditado depois que estive lá :-).

Na Champs Elysees, caminhei por uma parte diferente da primeira viagem. Conhecemos lojas da Toyota, Renault, Peugeot e a loja do Paris Saint Germain. Muito bom caminhar por aquela rua e ver todas as lojas e cafés.

Desta vez subi no arco do Triunfo. Não tinha subido da primeira vez e também é uma experiência bem legal. Muito interessante a vista da cidade, com a torre Eiffel. Também é interessante que várias avenidas vêm em direção ao arco, então lá de cima a sensação lá de cima é de estar em um local central. Interessante também observar o transito caótico na imensa rotatória que circunda o arco. Não dá para entender como os carros "se entendem" ali. Recomendo a visita. Vale os 8 Euros e as dezenas de degraus de subida.

Outra coisa que eu não havia feito foi passear de barco pelo rio Sena. Um belo passeio, como o de Londres no Tamisa. A desvantagem desse é que estava meio frio, mas faz parte.

Fotos desta e da primeira viagem, para quem quiser ver.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Viagem de Páscoa - Parte Final - Versailles e o Garçom Enxaqueca

Pois é, chegou a hora de terminar de escrever sobre essa ótima viagem de Páscoa. No último dia, a segunda-feira que é feriado tanto na Itália como na França (os italianos chamam o feriado de "Pasqueta"). Para o último dia resolvemos ir a Versailles. Já tínhamos conhecido o palácio dos reis da França (que hoje é o Louvre) e no fim do feriado resolvemos ir conhecer a casa de campo deles, em Versailles.

Pra chegar lá foi meio complicado, pois a linha de metrô que tinha que pegar (RER) estava em obras. Então cada vez que nós pegamos este RER em todo o feriado foi meio estressante, mas tivemos sorte pois encontramos um casal de portugueses em uma das n estações e daí pra frente foi mais fácil, pois os portugueses falavam francês e conseguiam pedir informações. Um curso de francês definitivamente está nos meus planos para um futuro próximo. Esses portugueses eram gente boa, e conversaram com a gente durante toda a viagem de trem e também na fila pra entrar no palácio. É sempre bom falar com pessoas de outros lugares. Sempre se aprende algo. Por exemplo, aprendi que houve um período em que os mouros dominaram Portugal, mas os portugueses acabaram expulsando-os primeiro do Norte e por fim do sul do país. Por esse motivo, também aprendi, que algumas pessoas do Porto, inclusive o presidente do FC Porto, chamam os portugueses de Lisboa e do sul do país em geral de mouros até hoje, de forma pejorativa. Aprendi também que em Lisboa existem vários restaurantes brasileiros, inclusive churrascarias rodizio. Se eu andar por lá e não for um absurdo de caro até vou num rodízio. Vocês não imaginam a falta que faz um churrasco pra um gaudério como eu. Depois de entrarmos no palácio, nos separamos dos portugueses, pois nós queríamos manter nosso plano de fazer pique-nique e eles queriam comer em um restaurante ou algo assim.

E que palácio. Enorme o lugar. Eu não contei, mas segundo a Wikipedia (eu adoro a Wikipedia ;-) ) "o Palácio de Versailles possui 2 mil janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque". Começamos o passeio pelos jardins. Uma imensa área verde que aparece na foto a seguir:

Tudo que aparece nessa foto faz parte dos jardins reais. Garanto que devem ter havido reis que nunca percorreram tudo. Inúmeras fontes, "recantos", lagos. Enfim, encontramos um lugar nesse pequeno "pátio" pra fazer pique-nique. De novo pão, saleme, queijo e um tubão de Coca Cola. Depois seguimos caminhando pelos jardins e encontramos alguns recantos curiosos e bonitos. A escultura a seguir, por exemplo, retrata um cara e duas mulheres. Possivelmente algum deus mitológico e duas ninfas (essa eu chutei, pode muito bem ser um oftalmologista e duas paquitas ok?). Uma imagem um tanto inspiradora nos jardins reais. Vai saber o que os caras faziam aqui...

Bom, nós caminhamos bastante pelos jardins, vimos bastante fontes e coisas do gênero. O lugar é mesmo impressionante. Quando fomos conhecer o interior do palácio já estava chegando o fim da tarde. Só os aposentos das princesas, que eles chamam de "dauphin" são um luxo total. Tem ainda os aposentos do rei e da rainha. Luxo total. O cara chega a ter um quarto para receber visitas. Não sei qual a moral, mas ouvi no fone de ouvido que eles te dão na entrada: "Os reis nunca dormiam nessa cama. Apenas recebiam visitas neste quarto." E tem uma sala dedicada a Marte e a arte da guerra, e outra dedicada a festas. "O rei não deve se privar das coisas mundanas. O povo clama pelo rei..." e aquele bla bla blá de monarca. Sabe como é. Tinha também uma sala de estudo onde os livros eram trocados mensalmente. E eu querendo ler um bom livro por mês e os nobres lêem uma biblioteca inteira...acho que eles não tinham muito o que fazer. Os fones que recebemos na entrada contam com narrações em uns 10 idiomas entre os quais, claro, não está o português. Não deu tempo de visitar todos os aposentos da casinha do Luis XIV e família. Quando dá seis horas começam os auto falantes a mandar o cara se dirigir à "sortie". "Le Château ces't fermé". Desligam os fones e daí a pouco os seguranças aparecem pra te falar ao vivo que "Le Château ces't fermé". Tudo bem. Foi legal a visita. Fomos de volta para Paris.

Podem conferir minhas fotos de Versailles no álbum Picasa a seguir:

France - Versailles


Chegando em Paris fomos pro hotel tomar banho e trocar de roupa antes de sair para jantar, o que depois percebemos que foi um erro. Acabamos indo jantar tarde e conhecendo o garçom enxaqueca. Resolvi dar esse nome ao nosso amigo garçom em homenagem ao Garoto Enxaqueca. Um personagem das vinhetas da MTV nos anos 90 (talvez fim dos 80) que estava sempre estressado. Pra quem não conhece o Garoto Enxaqueca aí vai um vídeo. O desenho é tosco, mas é engraçado. Pelo menos eu acho. Confere aí:



Bom, voltando ao garçom enxaqueca, nós chegamos pra jantar já passavam das 11 da noite. O que pra nós brasileiros é normal, quando estás curtindo um feriado viajando e tal. Bom, para os franceses definitivamente não é normal. A entrada foi servida normalmente, estavamos curtindo um vinho e aí lá pela quarta garfada na entrada o cara traz o fondue, que logicamente deveria ser servido depois. "Le cuisine ces't fermé. Je suis désolé." Ou seja, ele tinha que servir já, pois a cozinha estava fechando. Bom, tudo bem, seguimos comendo a entrada e depois começamos com o fondue. Mas fondue não é exatamente um cheeseburguer, que tu comes assim meio na correria. Fondue é pra comer na manha, tanto que tu esquentas na hora. Não tem nem perigo de a comida esfriar. E o cidadão começou a vir toda a hora até a nossa mesa. Olhava para os pratos ainda com carne e pão a ser degustado e fazia sinal de negativo com a cabeça e uma cara de garoto enxaqueca. Eu estava de costas pra ele, mas a Sibele e principalmente a Ligia se estressaram muito com esse comportamento do cara. E seguramente ele não gostou da forma como olharam pra ele e fomos realmente mau atendidos no lugar. Mas o pior de tudo: se só nós estivéssemos ali, até poderia concordar que só nós comemos fora de hora e estaríamos fazendo o cara perder o trem ou algo assim, mas acontece que tinha uma outra mesa com uns franceses um pouco mais velhos que nós aos quais o cara atendia normalmente, sem nenhuma forma de pressão para eles irem embora. Nesse sentido pareceu discriminação contra estrangeiro mesmo. A Ligia chegou a chorar diante do comportamento do cara. O que me causou uma sensação muito estranha. A Ligia em um determinado momento disse pro cara, em inglês, que ele era um "gentleman". Aquilo foi muito engraçado. Uma pena que nunca vamos saber o que ele respondeu em francês. Eu simplesmente ignorei o garçom e segui comendo minha carne. Eu não falei nada pro cara pelo fato de que, mesmo hoje depois de quase duas semanas do acontecido, eu não consigo pensar em nada que eu podesse ter dito (nem em português, que dirá em Francês) que melhorasse a situação. Aquele cara iria continuar tão ou mais estressado do que já estava. Talvez uma solução teria sido nos levantarmos e termos ido embora, talvez devêssemos ter feito isso. Algumas pessoas acham que eu sou "bonzinho" ou "tolerante" demais e até se estressam comigo por isso. Talvez eu seja mesmo, até acho que sou. Mas o fato é que eu me estresso menos que a média da população sendo assim, e sinceramente acho que existem defeitos piores.

Uma pena que a nossa última noite em Paris tenha tido esse lado desagradável. Nada de "final feliz". Pelo menos fica a lição. Nunca vá jantar tarde na França. E vejamos pelo lado bom, temos mais essa história pra contar. Ah, e o vinho, o queijo e a carne estavam excelentes. O chef caprichou. Só o garçom que era enxaqueca mesmo.

Não deixe de visitar também o blog da Ligia com as impressões dela sobre essa mesma viagem e as fotos que a Sibele tirou.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Viagem de Páscoa - Parte 3 - Segundo Dia em Paris

Todas as minhas 72 fotos de Paris estão no álbum Picasa a seguir:

France - Paris

Segundo dia em Paris. Dia de conhecer o maior cartão postal da cidade e talvez o monumento mais famoso do mundo moderno. A torre Eiffel. O nome Eiffel é em homenagem ao engenheiro Gustave Eiffel, autor do projeto. Encaramos umas três horas de fila para subir na torre. Na época em que foi construída, em 1889, a torre era a estrutura mais alta do mundo. De acordo com a Wikipedia, o monumento já foi visitado por mais de 200.000.000 de pessoas desde a sua construção. A julgar pelo tamanho das filas que encaramos, só neste feriado alguns milhares de pessoas devem ter subido. A torre tem 3 estágios. No primeiro existe um cinema, lojas e um restaurante. No segundo estágio outro restaurante. Este absurdamente caro, tem até elevador privativo. No Picasa da Ligia tem alguns videos que dão uma idéia de como é o passeio de elevador para subir na torre. A Sibele chegou a sentir uma vertigenzinha, mas o elevador do Beto Carreiro World me deu mais adrenalina. Achei legal ter subido na torre, para dizer que estive neste grande monumento e por ter admirado as belas vistas da cidade que se tem dos diferentes estágios da torre. Mas é o tipo de visita que a pessoa tem que ir uma vez e está bom. Se tivesse que encarar a mesma fila para ir uma outra vez eu provavelmente não iria. Preferiria voltar ao Louvre, por exemplo. Mas sem dúvida uma vez vale a ida e recomendo para os eventuais viajantes. Especialmente se tiverem oportunidade de ir quando não for feriado. Se alguma vez eu for novamente vou tentar ir à noite, para ter uma vista diferente de Paris. Na foto a seguir uma das belas vistas a partir da torre.

Depois de descermos os 324 metros de altura da torre, demos uma passeada nos jardins de Luxemburgo. Um belo parque onde fizemos o pique nique do dia. Dadas as condições financeiras de três estudantes que somos, resolvemos substituir os almoços por pique-niques e só irmos a restaurantes para jantar. Depois de visitar os jardins de luxemburgo, com um laguinho onde crianças brincam com veleiros em miniatura disponíveis para locação, fomos em direção ao Pantheon, um belo prédio próximo onde estão enterrados vários franceses ilustres como Voltaire e Victor Hugo. Já passavam das 18hs, então não podemos entrar no Pantheon. Vi em fotos da Internet que o interior do prédio é muito bonito. Uma pena não termos conseguido entrar. Por fora o prédio também é bonito. Na fachada a frase: "Aux Grands Hommes La Patrie Reconnaissante". Dá pra "intuir" o significado para quem fala português, mas eu não vou me arriscar a pôr aqui uma tradução minha que certamente estaria errada. Então fica só na intuição mesmo. Na foto a seguir o Pantheon:

Depois caminhamos mais um pouco até a igreja de Saint-Étienne-du-Mont, onde assistimos um trecho da missa de Páscoa. A igreja é bem bonitinha, mas para o "padrão Paris" de arquitetura deixa um pouco a desejar.

Depois encerramos o dia comendo raclette em um restaurante perto do Hotel. Raclette são fatias de queijo e frios que tu esquentas em uma espécie de chapinha. Queijo derretido na hora, com um belo vinho tinto para acompanhar. Nada mau.

Não deixe de visitar também o blog da Ligia com as impressões dela sobre essa mesma viagem e as fotos que a Sibele tirou.

domingo, 15 de abril de 2007

Viagem de Páscoa - Parte 2 - Primeiro Dia em Paris

Já era mais de meia-noite quando cheguei no hotel e encontrei minha prima Ligia (eu e ela ainda não temos certeza se esposa do meu primo é minha prima, se alguém souber o real grau de parentesco escreva nos comentários) e a sua amiga Sibele, mais uma brasileira perdida aqui no velho continente. Mais de doze horas de atraso, pois deveriamos ter nos encontrado as dez da manhã. Sacanagem, fiz as gurias esperarem por mim a manhã toda até conseguir ligar pro hotel naqule trem lotado de Milão para Veneza. O negócio foi ir dormir logo para curtir o sábado.

Para as fotos deste dia, por favor acessem o Picasa da Ligia, pois o tosco aqui esqueceu a camera fotográfica no hotel no primeiro dia. As fotos que ilustram o post também são "surrupiadas" da Ligia. Espero não ter que pagar royalties ;-).

E que belo sábado. Em Paris é muito legal tu saires do metrô e te deparares direto com uma arquitetura fantástica. Prédios majestosos. É realmente um lugar especial. Só caminhar nas ruas de um lugar assim já vale a viagem. Tu podes praticamente apontar tua máquina fotográfica para uma direção aleatória e bater sem olhar que tens uma grande chance de tirar uma foto bonita. Os prédios "comuns" do centro de Paris seriam atrações turísticas em cidades como a minha querida Rio Grande. Saímos do metrô e demos de cara com a Ópera de Paris. Um belíssimo prédio. Mas estava em reformas. Gostaríamos de ter entrado, mas tempo e dinheiro nos restringiam, e além disso estava em obras o lugar. Partimos para a galeria Lafayette, logo atrás da ópera. Não é exatamente o lugar para um fã de Ramones como eu. Uma loja de perfumes, bolsas, sapatos e roupas predominantemente femininas. O lugar é um templo ao consumo feminino. Sete andares destas coisitas que as mulheres adoram. Minha esposa Cláudia iria amar o lugar. O prédio é absurdamente bonito, com vitrais e sacadas no interior realmente impressionantes, como mostra a foto a seguir. O prédio faz valer a visita mesmo pra quem não pensa em comprar bolsas e sapatos. Eu aproveitei para procurar um perfume que a dignissima me havia encomendado, mas não comprei-o aqui.

Depois comemos sanduiches e fomos para o Louvre. Provavelmente o maior museu de arte do mundo. Um prédio gigantesco que não conseguimos percorrer em uma tarde. São muitas e muitas esculturas gregas, romanas, européias, egípcias e de tantos outros lugares, como a Venus de Milo (ou Afrodite de Milos, como preferem os gregos) mostrada na foto a seguir. Além das esculturas, pinturas De toda a Europa, de vários períodos. Com destaque para obras Italianas renascentistas como a Mona Lisa, do meu xará Leonardo. Imagino que muitas das obras foram "tomadas" durante o periodo em que Napoleão dominou quase toda a Europa. O fato é que o lugar concentra uma quantidade de arte e cultura descomunal. E me fez muitíssimo bem estar em um lugar assim. Tem muito o que se aprender nesse mundo.

O lugar é tão espantoso que, ao entrarmos na galeria Apollo (uma área onde são expostos alguns pertences do Luis XIV, inclusive algumas jóias da coroa), a Ligia que normalmente é "bem comportada" olhou para aquelas paredes e aquele teto ornado com detalhes em dourado, pinturas e esculturas deslumbrantes e exclamou: "Puta merda!" Eu concordei na hora e concordo plenamente. Puta merda! O Louvre é foda!

Por alguma razão as esculturas me chamam mais a atenção que as pinturas, então abaixo vejam Cupido e Psiquê, de 1787 do Escultor Antonio Canova, de Veneza.

Essa escultura retrata o mito de Eros (cupido) e Psiquê, narrado assim pela Wikipedia: "O mito de Psiquê (Espírito) é narrado no livro O Asno de Ouro de Apuleio, que a cita como uma bela mortal por quem Eros, o deus do amor se apaixonou. Tão bela que despertou a fúria de Afrodite, deusa da beleza e do amor, mãe de Eros- pois os homens deixavam de freqüentar seus templos para adorar uma simples mortal. A deusa mandou seu filho atingir Psiquê com suas flechas, fazendo-a se apaixonar pelo ser mais monstruoso existente. Mas, ao contrário do esperado, Eros acaba se apaixonando pela moça - acredita-se que tenha sido espetado acidentalmente por uma de suas próprias setas."

Percebam que a mãe do tal Eros é a Afrodite, ou a Venus (de Milo) da foto anterior. Mitologia é legal demais. Agora imaginem que cada uma das milhares de obras do lugar tem uma história dessas. É de ficar bobo mesmo.

As 18hs fechou o museu. Tivemos que cair fora. Mas ainda tivemos folego pra ir até a Catedral de Notre Dame. Impressionante a arquitetura. Dezenas de santos e apóstolos e outras figuras religiosas esculpidas na parede do lugar. Eu fiquei sentado só olhando para aquela igreja um bom tempo. Só contemplando aquelas figuras. Realmente impressionante. E era véspera de Páscoa. À noite teve uma celebração na catedral com velas e as luzes todas apagadas. Bem interessante. A seguir, foto da belíssima catedral. A riqueza de detalhes e a quantidade de esculturas na fachada é o que mais me impressionou.
Encerramos o dia comendo crepes e tomando cidra. Uma tradição francesa. Que belo sábado meus amigos. Que belo sábado. E ainda falta falar do domingo e da segunda-feira. Putz, esses posts parisienses vão longe. Será que alguém vai aturar ler tudo isso? Bom, qualquer hora dessas eu escrevo sobre o domingo.

Não deixe de visitar também o blog da Ligia com as impressões dela sobre essa mesma viagem.

sábado, 14 de abril de 2007

Viagem de Páscoa - Parte 1 - Bergamo

Peguei o trem saindo de Trento no início da tarde em direção a Bergamo, onde pegaria o vôo para Paris às 20:30. Deveria trocar de trem duas vezes, uma em Verona e outra em Brescia. Não aconteceu como planejado. O trem de Verona a Brescia teve um "probleminha" e ficou quase meia hora em uma estaçãozinha aleatória que não lembro o nome. Essa meia hora foi suficiente para eu Perder o trem Brescia-Bergamo e então tive que ficar quase uma hora esperando o próximo trem em Brescia. Obvio: perdi o vôo. Chegando no aeroporto perguntei sobre o voo do dia seguinte (sexta-feira santa). Lotado. Teria que ficar na "lista de espera" torcendo que alguem desistisse ou se atrasasse como eu. Não achei uma boa idéia e perguntei se não teria outra solução. Então a atendente me disse que ainda haviam lugares em um voo que sairia de Treviso na noite seguinte. Bergamo fica perto de Milão, e Treviso, fiquei sabendo no aeroporto, perto de Veneza. Abaixo o mapa da Itália (clique-o para ampliar e conseguir ler alguma coisa). Aproveitem para localizar Trento, onde moro, no meio do caminho entre Milão e Veneza. Todas as cidades ficam no norte da Itália. Nunca fui para o sul da Itália. Algumas pessoas aqui do norte da Itália se referem aos Italianos do sul (incluindo os romanos) como "terroni", uma expressão pejorativa. Qualquer dia desses eu vou a Roma ver qual é a dos "terroni". Eu ouvi falar que existe um pejorativo que os sulistas usam para se referir aos italianos do norte, mas não sei qual é. Eu já prefiro dizer que os italianos são "tutti buona gente".



Pois é, passei a noite em um albergue em Bergamo. Legalzinho até. Não tinha muita gente apesar de ser início de feriado. Bom, pois pela minha indignação de ter perdido o vôo eu só queria mesmo comer um sanduiche e dormir. Foi o que fiz. No outro dia estava cedinho de pé. Pronto pra encarar novamente a confiável e pontual Trenitalia. Pra quem for viajar por aqui fica a dica, planeje sua viagem de trem na Itália para chegar umas 3 horas antes do necessário.

Ainda deu tempo de dar uma caminhada pelo centro de Bergamo antes de pegar o trem. A cidade é bem legal até. Parece ser maior que Trento, ou pelo menos o centro é mais moderno e movimentado, com avenidas largas e tal. Um lugar legal, mas para mim que poderia estar em Paris não foi assim tão legal, então posso ter ficado com uma imagem ruim da cidade. Além disso não pude conhecer nada da cidade. Parece que a tal de "cittá alta" é a parte mais legal da cidade. Mas eu só pude caminhar perto da estação de trem onde tirei algumas fotos que coloquei no Picasa.

Italy - Bergamo


Depois de tirar essas fotos, foi só embarcar no trem. Dessa vez a viagem seria Bergamo-Milão-Veneza-Treviso. Ainda mais lotado que no dia anterior, tinha uma multidão embarcando no trem de Milão para Veneza. Que galera! Ainda bem que arranjei um lugar entre um casal de franceses e outro de suiços que, claro, iam curtir um feriado romantico em Veneza. O cara do casal de franceses estava estudando ingles e a guria o ajudava. O cara aprendendo Ingles e eu tentando ver se aprendia alguma coisa de francês ouvindo o diálogo deles, pois afinal meu destino final ainda era Paris. Claro que esse trem também atrasou uns 20 minutos, mas eu estava adiantado e aí não importava tanto. O trem de Veneza a Treviso também estava lotado. Tive que ficar em pé, mas o trecho era pequeno. Sem problemas. Ainda deu tempo de jogar Luxor 2 por um baita tempo no laptop no aeroporto de Treviso. Vôo sem nenhum problema. Já sou fã da Ryanair, a Gol da Europa.

Afinal Paris...nos próximos posts!

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Boletim Médico

Buenas, quinta-feira passada eu fui pela última vez (espero), ao médico ortopedista no hospital aqui de Trento. Sinceramente a radiografia não me pareceu assim muito boa, sem dúuvida o osso não parece estar como novo. O médico levou os raios x para a sala ao lado e conversou com outro médico. Depois, voltou, constatou que eu não sentia dor mesmo ele tocando e pressionando a clavicula e aí, para a minha surpresa, pediu para a enfermeira me tirar a tralha dos ombros. Me recomendou que não carregue peso com o braço direito por uns tempos e que, se quisesse, fizesse umas sessões de fisioterapia. Mas disse que a fisioterapia não seria extremamente necessária, pois a parte imobilizada não era nenhuma articulação. Então provavelmente eu não faça a tal fisioterapia. Não estou com tempo nem dinheiro sobrando pra fazer isso e estou me sentindo razoavelmente bem, então acredito que meu ombro voltará a estar 100% simplesmente através do uso no dia-a-dia. O médico disse pra eu voltar lá no hospital só em caso de ter algum problema, o que eu espero que não aconteça. Fiquei com um calo, uma espécie de "caroço" na clavícula que talvez desapareça ou diminua com o tempo. O bom disso tudo é que fiquei livre da tala bem na véspera da minha viagem de Páscoa para Paris. Isso me deixou extremamente contente, pois viajar com os ombros imobilizados seria absurdadmente incômodo. Então é isso. Estou bem fisicamente e dentro de mais ou menos um mês pretendo voltar às quadras de futsal nas quartas-feiras ;-).

Nos próximos posts lhes conto a viagem a Paris. A cidade é realmente tão legal quanto costuma-se ouvir por aí. Sem dúvida um grande lugar. Detalhes da minha experiencia parisiense em breve. Até mais.

sábado, 6 de janeiro de 2007

França

E lá fomos nós, rumo à França. Allez les bleus!

Na fronteira entre a França e a Itália existe um túnel. O túnel Mont Blanc/Monte Bianco passa por dentro do tal monte branco, que é o ponto mais alto da Europa Ocidental. O pedágio para passar por esse túnel também deve ser o mais alto da Europa Ocidental, módicos 31 Euros. Mas tudo bem, seguimos em frente. São mais de 11Km de túnel. Ao sairmos do túnel estávamos na França. Pesquisando na Internet parece que ficou acordado que a fronteira França/Itália passaria justo em cima do tal ponto mais alto da Europa, mas claro que os franceses dizem que o cume é na França e os italianos dizem que é na Itália e eu não sei porque, mas quando eu estava na Suiça eu tenho quase certeza que ouvi falar que o Mont Blanc era na Suiça ;-).

Chegamos à noite na casa dos pais do Xavier. No alto dos alpes. Local extremamente agradável. A cidadezinha se chama Les Carroz d'Arraches, mas pode chamar de Les Carroz. Não fazia tanto frio, pois faz sol o tempo todo já que as nuvens ficam abaixo do ponto onde ficamos e além disso, esse ano está sendo mais quente que o normal. A galera do esqui tem reclamado da falta de neve. Os pais do Xavier nos receberam super bem. Me trataram como se fosse da família. Um grande abraço para o seu Jean Marie e a dona Marie France (espero ter escrito os nomes corretamente). Gente simples e muito amigável. Na primeira noite já deu pra perceber a "Torre de Babel" que seria a estadia na França. Sentados à mesa eu, que falo português, inglês e italiano (este último praticamente inútil nesta viagem); a Raquel que fala inglês, alemão e português; o Xavier que fala inglês, francês e alemão; a mãe do Xavier (Marie France) que fala alemão, francês e inglês (embora prefira falar alemão e/ou francês a maior parte do tempo) e o pai dele (Jean Marie) que fala só francês. Ou seja, não havia uma língua comum a todos nós e volta e meia eram necessárias traduções. Interessante que apesar de entender muito pouco (nada) de francês, quando o Xavier traduzia algo do inglês para o francês, dava para entender quase tudo que ele falava, já sabendo de antemão qual o assunto. Já quando a tradução era pra alemão, aí não dava pra entender nada mesmo.

Na primeira manhã em Les Carroz fomos ver a "chegada do Papai Noel". Em Les Carroz ele chega de balão. Bem interessante. Além disso, eu não sabia que o Papai Noel falava francês, mas fala. Ele disse "joieux Noël" (feliz Natal) pra mim. Ainda na véspera de Natal, fiz algo que não fazia desde os tempos do colégio (salvo formaturas e casamentos). Fui à missa. A missa neste dia foi rezada em um ginásio de esportes para abrigar todas as pessoas, já que a população do lugar triplica no inverno e no Natal a missa é bem mais popular que nos outros dias. Independente de ter ou não fé, tenho que admitir que é bonito ver um ginásio lotado cantando "Noite Feliz" em francês. Também foi legal receber um "joieux Noël" de pessoas que eu nem conhecia.

Na França eu aprendi como é uma refeição completa. No Brasil e nos outros países por onde andei as pessoas pulam algumas fases da refeição. A refeição completa começa com um aperitivo, com canapés ao "foie gras", Coraya e Champagne. A "verdadeira" Champagne, no brasil e no resto do mundo a gente toma "espumante" ou "cidra". Depois, o prato principal, em geral envolvendo um ou mais tipos de carnes, peixes e massas. A seguir come-se uma salada. Depois passa-se aos queijos. E são bons os queijos franceses. Acompanhados de um vinho tinto, são um dos melhores momentos da refeição. O famoso é o "Camembert", que tem um cheiro e um sabor extremamente fortes, marcantes. Não é um queijo para comer toda a hora nem em grandes quantidades, mas eu gostei. E os outros queijos que provei também são excelentes. Entendi agora o sentido de degustações de "queijos e vinhos" faz muito sentido. E como se não bastasse essa fartura toda, ainda tem sempre a sobremesa: torta de chocolate, bolo alemão, iogurte, frutas...cada refeição leva em torno de duas horas. Tudo na maior calma, saboreando os alimentos. Não é a toa que a culinária francesa é famosa.

Mas não ficamos só comendo. Passeamos bastante pela região. Fomos até uma cidade próxima, onde podemos curtir a bela vista do famoso Mont Blanc da foto a seguir. Eu, a Raquel e os sogros dela na foto.


Acabamos não esquiando, mas compramos umas espécies de trenós de plástico (essa coisa vermelha na foto) e nos divertimos bastante na neve. Na foto abaixo eu, com a cara congelada de tanta neve, e a Raquel.



Também conhecemos uma cidadezinha muito legal, onde vimos um presépio esculpido em gelo, "táxis" carruagens e arquitetura no estilo alpino. Também nesta cidade tomamos um delicioso chocolate quente. Pena que não lembro o nome da cidade, lembras Raquel? Enfim, o lugar é esse da foto abaixo:


Eu e o Xavier ainda tiramos uma tarde para praticar um esporte que eu gosto bastante. O pingue pongue, ou tênis de mesa. Nos divertimos bastante, mas ao final a França levou a melhor, acho que por uns 4 sets a dois ou algo assim. Afinal de contas a França fica mais perto da China que o brasil.

Achei a foto a seguir muito legal. É na manhã de Natal, a galera toda curtindo seus presentes.


Ah, já ia me esquecendo um membro da família. Abaixo a "Ciboulette", ou Cebolinha em português. Essa gata tem vida mansa. Passa os dias deitada nessa poltroninha aí. De vez em quando sai pra passear nas montanhas, mas logo logo volta para a boa e velha poltrona.


No último dia que ficamos na França, o irmão do Xavier, o Pascal, juntou-se a nós. Neste dia fizemos uma bela caminhada nas montanhas, em uma trilha perto de onde os caras praticam ski "cross country". É a modalidade de esqui onde em vez de descer montanha abaixo os caras esquiam no plano e as vezes até sobem montanha esquiando. Fico cansado só em pensar. Abaixo uma foto deste dia.


Bom, esta foi a parte francesa da viagem. Agradeço aos meus anfitriões pelo excelente Natal que me proporcionaram. Eu iria passar o ano novo com meus colegas na Suiça, como no ano passado, mas eles estavam se amarrando por causa da falta de neve para esquiar, então a Raquel e o Xavier me convidaram para seguir com eles para a Alemanha, onde moram. E foi o que eu fiz. Amanhã conto como foi a experiencia na Alemanha.