SC Internacional, Ramones e Cerveja. Isso tudo existe e ainda tem quem reclame da vida.
Mostrando postagens com marcador Alemanha. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alemanha. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 1 de abril de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Berlim Cultural
Berlim não se resume a sua história única. Berlim tem também muita arte e cultura. Quando eu cheguei na cidade, quando desci na estação de metrô perto do albergue onde ficaríamos, um adesivo dos Ramones na parede já me chamou a atenção. Pensei e na hora falei aos companheiros de viagem: "Opa, estamos no lugar certo!". A cidade, ou pelo menos algumas partes dela, incluindo a área onde ficamos, têm um ambiente muito alternativo. Punk mesmo, no sentido de criatividade, liberdade, diversão. Muita arte de rua. Muito grafite de qualidade (não confundir com pichação e vandalismo). Lá o grafite é levado a sério. Eu vi desde loja de bicicleta até supermercado com a faixada toda decorada por grafite. Não é vandalismo, é trabalho profissional e, na minha opinião, muito bonito. Muito interessante. E tem muito bar alternativo. Lugares com todo o tipo de música. Do punk rock à música eletrônica. Música eletrônica que eu a princípio não gosto, mas que se estando no ambiente certo, com os malucos certos e com o DJ certo pode sim ser interessante. Um lugar que recomendo para isso, por exemplo, é a Cassiopeia. Trata-se de um depósito de trens bombardeado e abandonado durante a guerra que, anos depois, virou night club, skate park e, dizem, que cinema ao ar livre no verão. Infelizmente estive lá no inverno. O lugar é altamente recomendável. Diversão e cultura (ou "contra-cultura") garantidas.
Comecei o post falando em Ramones, a cidade conta com um pequeno museu da banda. Tem bastante memorabilia, coisas como tênis, jaquetas, guitarras, baquetas usadas pelos caras. Desenhos e letras escritas a mão pelo Dee Dee e outras raridades desse tipo. O lugar é bacana, e serve um café muito bom. Para quem é fã vale a pena. Para quem não é, nem tanto.
Nos próximos posts eu vou fazer mais ou menos como fiz com Florença a um tempo atrás. Sobre Florença eu postei algumas obras de arte clássicas daquela bela cidade. Sobre Berlim, vou postar algumas obras de arte de rua que gostei. O crédito de algumas das fotos, como essa deste post, vai para meu colega Neumar Malheiros, que esteve lá comigo e tinha um celular com uma camera boa para as ocasiões em que as cameras "normais" não eram apropriadas.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Berlim Histórica
Bueno, vamos falar de Berlim então. Eu fiz um city tour muito legal sobre o terceiro reich, onde se pode aprender muitas coisas interessantes. Em uma tarde é possível entender como o Hitler conseguiu o poder absoluto na Alemanha sem quebrar as leis da época, por exemplo. Acontece que houve um incêndio criminoso no parlamento (Reichstag). Não se sabe com certeza até hoje quem seriam os responsáveis. Há quem diga que foram os próprios nazistas, já que aquele prédio simbolizava a democracia, da qual eles não eram muito fãs. Mas o Hitler, chanceler na época, colocou a culpa nos Comunistas, e solicitou e aprovou em medida emergencial o poder de fazer o que quisesse por um tempo limitado, 30 dias ou algo do gênero. Nesses 30 dias ele simplesmente mandou prender todos os parlamentares da oposição e depois disso, votou "democraticamente" no parlamento para ser nomeado führer, com poder absoluto, e aí deu no que deu. Há um memorial perto do Reichstag para lembrar dos políticos que foram presos na época e que foram mortos pouco antes do fim da guerra, quando a derrota era iminente.
Aliás memoriais não faltam pela cidade. O memorial das vítimas do holocausto, por exemplo. Impossível ficar indiferente ao holocausto. Provavelmente a maior demonstração de brutalidade da história da humanidade. Houveram outras tentativas de genocídio na história e ainda hoje, mas nunca de forma tão fria e sistemática. Uma verdadeira indústria da morte. O memorial do holocausto não tem nenhuma explicação. Diz que cada pessoa deve interpretá-lo como preferir. Caminhar por ali e sentir a claustrofobia que o local inspira. Foi construído bem no centro da cidade. Próximo ao portão de Brandenburgo e do Reichstag, procurando fazer com que a cidade e a Alemanha nunca esqueçam o horror que aconteceu e que tal barbaridade nunca venha a se repetir. O Holocausto e a segunda guerra são tão fascinantes que não importa quantos livros e filmes se façam a respeito, o assunto parece nunca se esgotar. Impressionante. E triste.
Em vários lugares se encontram pedras ligeiramente elevadas na calçada com dizeres do tipo "Nesta casa morou fulana de tal, deportada para Auschvitz no dia tal, onde foi morta na data x." A idéia seria que de tanto em tanto os cidadãos, em meio a suas vidas felizes e atarefadas na Berlim moderna, "tropecem" nessas pedras e se lembrem do que aconteceu. Claro que isso é simbólico, as pedras não são suficientemente elevadas para que alguém de fato tropece e se esborrache no chão, mas estão ali. Eu vi e li.
Outro memorial interessante encontra-se em uma praça onde se costumavam queimar livros que o regime nazista considerava inconvenientes. O memorial é uma série de estantes de livros vazias, onde deveriam estar as obras queimadas. Importantes autores alemães estavam entre os autores de obras "inconvenientes", como Albert Einstein e Sigmund Freud, por exemplo.
Tem, ainda, um memorial do soldado soviético desconhecido. Me conta o guia do tour que alguns alemães chamam o memorial de "memorial do estuprador desconhecido", pois afirmam que os Russos depois de conseguirem finalmente conquistar Berlim praticaram esse ato deplorável com muitas mulheres por lá. Afirma ainda o mesmo guia que as estatísticas de abortos feitos na época confirmam essa ideia (não, não está errado, com a reforma ortográfica "ideia" não tem mais acento). O interessante é que o memorial encontra-se no lado ocidental da cidade. No setor britânico. Motivo: Os russos foram os primeiros aliados a chegar lá. E quiseram deixar isso claro construindo antes que os demais aliados chegassem o tal memorial no território que seria deles. E porque o memorial não foi destruído pelos britânicos? Segundo o guia, ele mesmo britânico, "o memorial não foi destruído porque nem os britânicos seriam tão doentios a ponto de violar sepulturas das centenas ou milhares de soldados que estão sepultados ali. Aprendi que morreram muito mais soldados soviéticos ali do que seria necessário. Aprendi que Stalin decidiu que a União Soviética deveria ser a primeira a chegar a Berlim. Mais, deveria conquistar a cidade no dia primeiro de maio, data bacana dos trabalhadores e tal. E decidiu que queria isso independente de quantas vidas soviéticas isso custasse. A célebre foto que ilustra esse post, do soldado colocando a bandeira da URSS no topo do Reichstag no dia primeiro de maio, como queria Stalin, teria custado muitas vidas de soldados que entravam pela porta da frente, no hall só para serem alvejados pelos soldados alemães em pontos altos do interior do prédio. Me disse o guia que esse soldado que está colocando a bandeira teve que passar literalmente por cima de uma montanha de soldados russos mortos no hall de entrada para chegar lá em cima e finalmente tirar essa foto que enaltece a URSS. O mais correto, estrategicamente, seria manter o Reichstag cercado, como já estava, por algumas semanas ou meses até que os alemães se rendessem por falta de suprimentos, por exemplo. Mas isso só aconteceria bem depois de primeiro de maio de 1945 e da chegada das tropas aliadas ocidentais, algo inadmissível para nosso amigo Stalin.
Dados todos esses memoriais, eu percebo que realmente há um esforço no sentido de não esquecer mesmo o que aconteceu por parte da cidade. Esse esforço é louvável. Não recupera nem uma das vidas perdidas sequer, mas ainda assim louvável. Muito bonito.
Depois da guerra, Berlim continuou sendo um lugar único em termos históricos. Com a debandada de pessoas do mundo socialista para o capitalista através de Berlim logo depois da guerra e da instalação da "cortina de ferro", os soviéticos resolveram construir o famoso muro. Passa-se então a existência de dois modos de ver o mundo em uma mesma cidade dividida por um muro. Visitei o museu da DDR (Alemanha Oriental) que mostra o cotidiano do pessoal do lado comunista. Inclusive com um carro Trabant, o único carro que se podia comprar na DDR, e ainda assim depois de esperar anos na fila. Dizem que tinha gente que tinha filho recém nascido e já reservava um carro pra o guri receber quando crescesse.
Há ainda casos célebres de tentativas de fuga do lado oriental para o ocidental, como o de um casal de namorados. Eles namoravam já antes da construção do muro. Mas com o muro, ficou um de cada lado. A moça no lado oriental e o rapaz na parte oeste. Nosso herói teve uma ideia (de novo sem acento) brilhante. Começou a namorar uma outra guria, essa habitante da Berlim ocidental como ele, muito parecida com sua antiga namorada. Depois de um tempo de namoro, convenceu a nova namorada a passar um agradável fim de semana fazendo turismo no lado oriental. Chegando lá, roubou os documentos da moça e foi encontrar a antiga namorada, com quem fugiu para o lado ocidental usando os documentos. Parece que a história é verídica, mas o cara e a sua amada acabaram presos. Parece que a vítima do golpe, por azar dos golpistas, era parente de algum figurão do governo que deu um jeito de cuidar muito bem do caso.
Bueno, esse post longo todo pra dizer que Berlim é um lugar com uma história muito rica. Recomendo muito pra quem gosta de história uma visita e este city tour que eu fiz. Muito bacana mesmo. No próximo post eu falo mais sobre outros aspectos da cidade. Acho que deu pra perceber que eu curti bastante Berlim. Até a próxima!
Aliás memoriais não faltam pela cidade. O memorial das vítimas do holocausto, por exemplo. Impossível ficar indiferente ao holocausto. Provavelmente a maior demonstração de brutalidade da história da humanidade. Houveram outras tentativas de genocídio na história e ainda hoje, mas nunca de forma tão fria e sistemática. Uma verdadeira indústria da morte. O memorial do holocausto não tem nenhuma explicação. Diz que cada pessoa deve interpretá-lo como preferir. Caminhar por ali e sentir a claustrofobia que o local inspira. Foi construído bem no centro da cidade. Próximo ao portão de Brandenburgo e do Reichstag, procurando fazer com que a cidade e a Alemanha nunca esqueçam o horror que aconteceu e que tal barbaridade nunca venha a se repetir. O Holocausto e a segunda guerra são tão fascinantes que não importa quantos livros e filmes se façam a respeito, o assunto parece nunca se esgotar. Impressionante. E triste.Em vários lugares se encontram pedras ligeiramente elevadas na calçada com dizeres do tipo "Nesta casa morou fulana de tal, deportada para Auschvitz no dia tal, onde foi morta na data x." A idéia seria que de tanto em tanto os cidadãos, em meio a suas vidas felizes e atarefadas na Berlim moderna, "tropecem" nessas pedras e se lembrem do que aconteceu. Claro que isso é simbólico, as pedras não são suficientemente elevadas para que alguém de fato tropece e se esborrache no chão, mas estão ali. Eu vi e li.
Outro memorial interessante encontra-se em uma praça onde se costumavam queimar livros que o regime nazista considerava inconvenientes. O memorial é uma série de estantes de livros vazias, onde deveriam estar as obras queimadas. Importantes autores alemães estavam entre os autores de obras "inconvenientes", como Albert Einstein e Sigmund Freud, por exemplo.
Tem, ainda, um memorial do soldado soviético desconhecido. Me conta o guia do tour que alguns alemães chamam o memorial de "memorial do estuprador desconhecido", pois afirmam que os Russos depois de conseguirem finalmente conquistar Berlim praticaram esse ato deplorável com muitas mulheres por lá. Afirma ainda o mesmo guia que as estatísticas de abortos feitos na época confirmam essa ideia (não, não está errado, com a reforma ortográfica "ideia" não tem mais acento). O interessante é que o memorial encontra-se no lado ocidental da cidade. No setor britânico. Motivo: Os russos foram os primeiros aliados a chegar lá. E quiseram deixar isso claro construindo antes que os demais aliados chegassem o tal memorial no território que seria deles. E porque o memorial não foi destruído pelos britânicos? Segundo o guia, ele mesmo britânico, "o memorial não foi destruído porque nem os britânicos seriam tão doentios a ponto de violar sepulturas das centenas ou milhares de soldados que estão sepultados ali. Aprendi que morreram muito mais soldados soviéticos ali do que seria necessário. Aprendi que Stalin decidiu que a União Soviética deveria ser a primeira a chegar a Berlim. Mais, deveria conquistar a cidade no dia primeiro de maio, data bacana dos trabalhadores e tal. E decidiu que queria isso independente de quantas vidas soviéticas isso custasse. A célebre foto que ilustra esse post, do soldado colocando a bandeira da URSS no topo do Reichstag no dia primeiro de maio, como queria Stalin, teria custado muitas vidas de soldados que entravam pela porta da frente, no hall só para serem alvejados pelos soldados alemães em pontos altos do interior do prédio. Me disse o guia que esse soldado que está colocando a bandeira teve que passar literalmente por cima de uma montanha de soldados russos mortos no hall de entrada para chegar lá em cima e finalmente tirar essa foto que enaltece a URSS. O mais correto, estrategicamente, seria manter o Reichstag cercado, como já estava, por algumas semanas ou meses até que os alemães se rendessem por falta de suprimentos, por exemplo. Mas isso só aconteceria bem depois de primeiro de maio de 1945 e da chegada das tropas aliadas ocidentais, algo inadmissível para nosso amigo Stalin.Dados todos esses memoriais, eu percebo que realmente há um esforço no sentido de não esquecer mesmo o que aconteceu por parte da cidade. Esse esforço é louvável. Não recupera nem uma das vidas perdidas sequer, mas ainda assim louvável. Muito bonito.
Depois da guerra, Berlim continuou sendo um lugar único em termos históricos. Com a debandada de pessoas do mundo socialista para o capitalista através de Berlim logo depois da guerra e da instalação da "cortina de ferro", os soviéticos resolveram construir o famoso muro. Passa-se então a existência de dois modos de ver o mundo em uma mesma cidade dividida por um muro. Visitei o museu da DDR (Alemanha Oriental) que mostra o cotidiano do pessoal do lado comunista. Inclusive com um carro Trabant, o único carro que se podia comprar na DDR, e ainda assim depois de esperar anos na fila. Dizem que tinha gente que tinha filho recém nascido e já reservava um carro pra o guri receber quando crescesse.
Há ainda casos célebres de tentativas de fuga do lado oriental para o ocidental, como o de um casal de namorados. Eles namoravam já antes da construção do muro. Mas com o muro, ficou um de cada lado. A moça no lado oriental e o rapaz na parte oeste. Nosso herói teve uma ideia (de novo sem acento) brilhante. Começou a namorar uma outra guria, essa habitante da Berlim ocidental como ele, muito parecida com sua antiga namorada. Depois de um tempo de namoro, convenceu a nova namorada a passar um agradável fim de semana fazendo turismo no lado oriental. Chegando lá, roubou os documentos da moça e foi encontrar a antiga namorada, com quem fugiu para o lado ocidental usando os documentos. Parece que a história é verídica, mas o cara e a sua amada acabaram presos. Parece que a vítima do golpe, por azar dos golpistas, era parente de algum figurão do governo que deu um jeito de cuidar muito bem do caso.
Bueno, esse post longo todo pra dizer que Berlim é um lugar com uma história muito rica. Recomendo muito pra quem gosta de história uma visita e este city tour que eu fiz. Muito bacana mesmo. No próximo post eu falo mais sobre outros aspectos da cidade. Acho que deu pra perceber que eu curti bastante Berlim. Até a próxima!
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Livro da Vez: A Familia Frank que Sobreviveu - Gordon Frank Sander
Não adianta. A segunda guerra mundial é um acontecimento que, não importa o quanto eu leia ou quantos filmes a respeito eu assista, eu não consigo entender. Como pode ter sido possível um governo de um país civilizado e desenvolvido deliberadamente exterminar milhões de pessoas? Milhões de pessoas inocentes, cujo único crime era pertencer a uma religião específica.Este livro fala sobre a experiência de uma família de judeus alemães durante a segunda guerra. Essa família fugiu para a Holanda quando Hitler assumiu o governo alemão. A decisão de fugir foi tomada na hora certa, mas para o lugar errado, já que alguns anos depois a Holanda seria anexada ao Reich. O título do livro faz analogia à família de Anne Frank. Que, de maneira semelhante à família retratada no livro, fugiu para a Holanda e, quando a Alemanha conquistou a Holanda se escondeu na clandestinidade. A família do livro sobreviveu, ao contrário da de Anne Frank (da qual só sobreviveu o pai). Anne Frank é conhecida por ter deixado um diário contando suas experiências naquele período conturbado. Tal diário é leitura obrigatória em escolas aqui na Europa. Talvez isso contribua para que algo do gênero não volte a acontecer. Talvez.
Aquela guerra teve um impacto sobre a Europa que ainda hoje se pode sentir. Certa vez, no ônibus, eu não sei nem por que, mas um senhor italiano começou a gritar e xingar um outro cara de fascista. E a dizer que os estrangeiros trabalham e ajudam a Itália a ser o que é. Eu imagino que o tal cara tenha tomado alguma atitude preconceituosa contra algum estrangeiro. O fato é que o tal senhor estava indignado e chamou o cara de fascista e desatou a falar de todos os males que o fascismo causou aos italianos. Outro dia, tomando cerveja com amigos na Piazza Duomo, um senhor de certa idade chegou na nossa mesa perguntando se sabíamos que o fascismo ainda existe na Itália. Respondi que achava que não, que era coisa do passado. Ele, meio indignado, procurou justificar a nossa "ignorância" dizendo algo como: "hmpf, não são italianos, não sabem de nada..." Alguns dias depois, vendo no Le Iene uma reportagem sobre quem seria a "madrinha dos caminhoneiros" da Itália, um dos caminhoneiros entrevistados não tinha nenhum pôster de mulher nua ou seminua na boléia. Mas tinha um pôster do Mussolini. Aquilo me fez pensar que talvez o velhinho paranóico que veio falar conosco na Piazza Duomo tenha alguma razão. Espero que não. Ainda vou ler algum livro italiano sobre fascismo. Já me indicaram "O Jardim dos Finzi-Contini" de Giorgio Bassani e "Cristo parou em Eboli" de Carlo Levi.
Eu gostei do estilo de narrativa de "A Família Frank que Sobreviveu". Ao mesmo tempo que descreve o drama da família, o livro apresenta a situação econômica, política e militar da Europa no período. Em especial, claro, da Alemanha e da Holanda que são o insólito pano de fundo do relato. Detalha bem o período de depressão econômica e hiper-inflação vividos pela Alemanha após a primeira guerra e que ajudam a explicar o inexplicável da segunda.
Vale ressaltar que o autor do livro é neto dos pais da tal família Frank, e filho de uma das moças que viveram o drama na Holanda. Ou seja, o autor também é um membro da família Frank. Felizmente em um período mais recente. Eu não li "O Diário de Anne Frank". Mas acho que deve ser um belo livro que lerei quando tiver oportunidade. Provavelmente seja até melhor que este livro que estou recomendando aqui, já que é um relato "ao vivo", de alguém que estava lá. Mas só lendo o diário pra saber. Só sei que "A Família Frank que Sobreviveu" é uma ótima leitura.
![]() | Ou em inglês na Amazon |
terça-feira, 12 de junho de 2007
Tramin / Termeno
Clique aqui para ver o álbum Picasa.
Buenas, no último fim de semana eu fui na cidadezinha do meu colega Mirko junto com uma turma de outros colegas. Trata-se da cidade de Tramin para quem fala alemão, ou Termeno para quem fala italiano. Explico: a cidade, junto com outras na região, e inclusive Trento, foi parte da Áustria até o fim da primeira guerra mundial. Acontece que a população da região, ao contrário da população de Trento, continua falando alemão e seguindo as tradições alemãs. Eles aprendem italiano na escola e tal, mas o Mirko brinca que lá os parceiros dele só usam o italiano para falar com os "carabinieri" (a polícia). E é verdade. O cara se sente na Alemanha, ou na Áustria. Bom, deixando a história e a geografia de lado, seguem algumas coisas que eu fiz neste que foi um dos mais agradáveis fins de semana que passei aqui na Itália:
- Tomei uma cerveja em um bar com vista para o lago;
- Curti a bela vista para esse lago onde diversas pessoas curtiam o belo sábado de sol velejando, praticando windsurf ou andando de "pedalinho";
- Assisti a uma partida de futebol da seleção dos prefeitos da Itália contra a seleção dos prefeitos do Alto Adige (Alto Adige, ou Südtirol como preferem os "alemães" do lugar é a tal região que era da Áustria). Não deixem de conferir a habilidade do número 15 do Südtirol nas fotos acima;
- Joguei minigolf. Nunca tinha jogado. É bem divertido, e toda a família pode jogar. Fiquei em terceiro lugar. O mais legal foi o espanto do dono do estabelecimento ao ver que tinha gente de vários lugares do mundo no minigolf dele. Até contou pra alguém no celular que tinha gente de vários continentes jogando;
- Curti uma festa alemã, com direito a bandinha típica, comidas típicas, muita cerveja e vinho. Tinha também ambientes com rock ou techno. Tudo ao ar livre. Nesse fim de semana a cidade estava em festa, e até por isso o Mirko nos convidou pra ir pra lá;
- Descobri que o meu amigo Komminist na verdade é do Texas, e não da Etiópia. Pelo menos foi isso que ele disse pra uma guria aleatória no meio da noite... ;
- No fim da noite, tomando um excelente vinho trentino da adega do meu amigo, cunhei o termo "australiano" para definir o pessoal da região. Não os da Austrália, mas os da "Austro-Itália". Não sei se em geral eles gostariam de ser chamados de "australianos", mas àquela hora da madrugada todos acharam bem engraçado;
- Infelizmente não pude ver a performance do Mirko na banda local. Ele é músico e tocou na procissão religiosa que percorreu a cidade pela manhã bem cedo. Eu e os colegas ficamos dormindo feito pedras. Uma pena, queria ter tirado uma foto do meu colega "à caráter" com as roupas típicas e o instrumento de sopro. Fica para a próxima;
- Fiz uma bela caminhada pela cidade;
- Tirei belas fotos;
- Almocei weisswurz, pretzel e, claro, um caneco de cerveja ao som de alguns membros da banda do Mirko. Bem boas as musiquinhas alemãs diga-se de passagem;
- Voltei para Trento e vi a melhor corrida de F1 dos últimos tempos. Uma pena o Massa ter sido desclassificado.
domingo, 7 de janeiro de 2007
Deutschland
Alemanha era a próxima parada. Saimos da França e passamos por uma parte da Suiça antes de chegar na terra da cerveja. Ao entrar na Alemanha, a primeira coisa que se nota é a ausência do limite de velocidade na maioria das estradas (highways). Muito legal andar a 140, 160 e até a 180 ou um pouco mais sem culpa. 180 é um bom número ao qual o Passat Station Wagon em que andávamos chegou sem problemas. Pelo menos do banco de trás o carro me pareceu bem estável a esta velocidade. Diferente de carros menos potentes que a pouco mais de 120 já começam a ficar "nervosos". As estradas são muito boas, mas não é nada do outro mundo não. Estradas como a Freeway de Porto Alegre para o litoral norte do RS ou a Rodovia dos Bandeirantes que liga São Paulo a Campinas não devem nada para as estradas alemãs que andei. Acho até que as estradas brasileiras citadas tem melhor "área de escape", já que na Alemanha geralmente tem um "guard rail" pra ninguém sair da pista e algumas vezes tem até muros, o que me lembrou aquela estrada do filme Matrix (não me lembro se o 2 ou o 3). Ou seja: acabem com o limite de velocidade na Bandeirantes! 120 é pouco para aquela estrada. Mas falando sério, é meio perigoso esse lance de sem limite, pois quando alguem a 80 troca de pista, sempre pode vir algum Porsche a 300 pela esquerda, tem que cuidar o retrovisor. Aliás na Alemanha é o único lugar do mundo onde faz sentido ter um carro esporte. No resto do mundo ter um carro desses é só exibicionismo, com exceção de quem anda em autódromo.
A Raquel mora em um vilarejo próximo a cidade de Mainz. O lugar é extremamente tranquilo, segundo o Xavier tem em torno de 700 habitantes. Fica meio que na zona rural. Deve ser bom trabalhar em um escritório com vista para as plantações e sem a barulheira da cidade. Um dos programas é levar a cadelinha Perla para passear e jogar bola em uma fazenda ali perto. Detalhe, a estradinha vicinal que passa entre as plantações e onde normalmente só passa trator é asfaltada! No Cassino ainda não acabaram de pavimentar nem a Av. Atlantica! Por falar em Cassino, num desses passeios com a cachorrinha, o Xavier estacionou o carro fora da tal estradinha e acontece que estava um lamaçal dos brabos ali. Na hora de ir embora ele tentou sair sozinho e não conseguiu, depois usamos papelão, colocamos a Raquel ao volante e os dois barbados para empurrar e nada. Só patinava. Lá pelas tantas, resolvi testar minha habilidade de motorista cassineiro e conseguimos tirar o Passat da lama, aos poucos mas foi. Na foto aparece o Passat, logo depois do resgate. Foi a primeira vez que eu dirigi aqui na Europa. Uns miseros metros, mas dirigi. Me falta a maldita habilitação internacional...
Antes de morar nesta nova casa, a Raquel morava em Mainz. Ela disse que se sentia em casa quando visitamos a cidade. É um lugar bem agradável. Típica cidade universitária, com muitos jovens passeando pelo centro e inúmeros cartazes anunciando as mais diversas festas de Reveilon. No centro podemos notar a tradicional arquitetura alemã, como pode-se ver na foto a seguir.
Também fiquei sabendo que Mainz é a cidade do Gutenberg. Aquele que inventou a imprensa. Na foto estou no monumento dedicado a esta figura histórica. O monumento encontra-se em frente a um belo teatro, em um local central da cidade. Também tem um museu dedicado a Gutenberg na cidade, mas infelizmente não tivemos tempo de conhecê-lo.
Outra atração em Mainz é a igreja de St. Stephan, com vitrais pintados pelo artista bielorusso judeu Marc Chagall após a segunda guerra mundial. A Igreja tinha sido destruida (ou parcialmente destruída) durante a guerra. A cidade de Mainz foi uma das que sofreram grandes bombardeios durante a segunda guerra. Em vários prédios e monumentos encontra-se placas onde lê-se sobre o prédio original, como ficou após a guerra e informações sobre a reconstrução ou restauração pós-guerra. Na foto entrando na igreja de St. Stephen. Alguém aí sabe ler alemão? Eu não sei. Se quiser tentar, clique na foto para aumentá-la.
Passamos o reveilon em Mainz. Saímos para jantar em um restaurante croata. Pedimos o prato especial de "Silvester" que é como eles chamam o ano novo (Não é a toa que temos a "Corrida de São Silvestre" aí no Brasil). O tal prato foi bom. Essa bandeijona da foto a seguir com diversos tipos de carne. Eu que não gosto de carne nem nada...
O pessoal da foto anterior é uma família com quem a Raquel morou logo que se mudou para a Alemanha. Ela ficava cuidando das crianças da foto. Gente fina este pessoal: o Gerth, gaúcho e gremista, a Margareth, carioca e Fluminense e as crianças Mariana e Gustavo. Depois do jantar fomos ver os fogos do ano novo às margens do rio Reno, que banha Mainz tomando champagne, ou melhor, espumante ;-).
Antes de ir embora ainda deu tempo de dar uma passada em Frankfurt. Cidade grande. Vários arranha céus, lojas, bancos, muito movimento nas ruas. No centro tem algumas construções em estilo tradicional alemão que contrasta com prédios modernos. Como em toda cidade européia que se preze, tem uma catedral. A seguir, algumas fotos de Frankfurt. A primeira foto de do post também é em Frankfurt.
Não poderia deixar de mencionar a cerveja alemã. Realmente os caras fazem juz a fama de cervejeiros. Tomei algumas cervejas por lá e todas foram excelentes. Não tomei nenhuma cerveja ruim. Nem sequer uma cerveja mais ou menso. Só cervejas excelentes. Não é a toa que os alemães acham Heineken uma porcaria.
Bom, estas foram minhas festas de fim de ano. Obrigado por ter a paciencia de ler tudo isso e um excelente 2007 a todos!
Assinar:
Postagens (Atom)