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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Freud

"Há muito tempo filósofos e especialistas da humanidade nos dizem que erramos ao considerar nossa inteligência como uma força independente e em não levar em conta a dependência de tal inteligência da vida afetiva. Nosso intelecto pode trabalhar de maneira eficaz somente na medida em que não sofre influências afetivas muito intensas; no caso contrário, este age simplesmente como um instrumento a serviço de uma vontade e obtém o resultado que esta lhe inspira. Daí que, argumentações lógicas nada podem contra os interesses afetivos, e é por isso que, no mundo dos interesses, a argumentação baseada na razão é tão estéril. A experiência psicoanalítica comprova esta verdade. Essa tem meios para constatar a cada dia como, quando confrontados com pensamentos contrários a uma resistência afetiva, os homens mais inteligentes perdem imediatamente qualquer capacidade de compreensão e se comportam como imbecis, mas que, depois que tal resistência é vencida, a sua inteligência ressurge. Portanto, a cegueira lógica em que esta guerra colocou nossos melhores concidadãos è apenas um fenômeno secundário, a consequência de uma excitação afetiva que, espera-se, desaparecerá junto com as causas que a provocaram"

O contexto aqui é a primeira guerra mundial, que acontecia na época do texto, mas é impressionante como o parágrafo do Freud se encaixa bem em inúmeras situações, como em brigas de torcida de futebol, no partidarismo político cego agora na época das eleições ou no fanatismo religioso. A diferença é que as causas do partidarismo cego, das brigas de torcida e do fanatismo religioso, infelizmente, são mais permanentes que as daquela guerra. Sou fã do Freud, concordo com poucos caras tanto quanto eu concordo com ele.

Nota: Parágrafo extraído do texto "Considerações Atuais Sobre a Guerra e a Morte".

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Belo Filme



Muito bom o filme "Quando Nietzsche Chorou". Especialmente para os fãs de Nietzsche e Freud, como eu. Mas não só para esses fãs. Eu acho que caras como esses têm muito a ensinar para qualquer ser humano. Recomendo muito esse filme. De verdade. Tem também um livro com o mesmo nome que inspirou o filme. Possivelmente o livro seja melhor ainda que o filme. Não o li.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Freud


Eu li nesse fim de semana um livro intitulado "O Mal-Estar na Civilização", do Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Impressionante como "o pai da psicanálise" é praticamente um sobrenome do nosso amigo Freud, e eu não consegui fugir de mais esse óbvio "lugar comum". Mas o que eu quero dizer é que o livro é extremamente interessante. Fala da angústia do ser humano em meio a uma civilização que, por um lado, o protege de muitas ameaças como doenças, animais selvagens, crimes (até certo ponto), entre outras mazelas; mas por outro lado tolhe muito de nossa liberdade e dos nossos instintos naturais. É muito bom ler um livro em que se pode perceber idéias realmente originais. Onde podes (e deves) parar a leitura e pensar "Putz, não tinha pensado nisso. Mas faz sentido...hm, mas será que...". Um livro que apresenta novos paradigmas (novos pra mim que nunca tinha lido o Freud, claro). Sou fascinado por livros que me fazem pensar. Não coloquei este como um "livro da vez" porque o "livro da vez" anterior ainda é muito recente e porque quero ler mais coisas de Freud (recebi recomendações abalizadas para ler pelo menos outros dois textos que já estão na minha lista de coisas para ler: "Totem e Tabu" e "Futuro de Uma Ilusão") para depois recomendar o(s) que eu gostar mais. Aliás foi o livro "Jogo de Damas" (post anterior) que me despertou o interesse de ler esse do Freud. Grande David Coimbra.