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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Branco!

Talvez eu já devesse estar acostumado. Mas como bom brasileiro é impossível, para mim, acordar e ver tudo branco sem sorrir e balbuciar para mim mesmo um "que afude!". Neve. Muita neve. Nevasca. E na hora que acordei, cerca de 6:40, ao nascer do sol, o céu estava vermelho. A cidade coberta de neve e o céu vermelho! Uma paisagem colorada. Surreal. Pena que havia deixado a máquina fotográfica aqui no escritório. E depois, caminhar pelas ruas sentindo e ouvindo a neve debaixo da botina. Muito bom. Muito legal. Enquanto alguns italianos passavam de mal humor, de guarda-chuva ou sacudindo a neve dos casacos, me dava vontade de sorrir. De passar por louco e cantar a mp3 dos Beatles que tocava nos meus fones:

You think you've lost your love
Well, I saw her yesterdayey
It's you she's thinking of
And she told me what to sayey


Um carro que acelerou um pouco demais, nada exagerado, em primeira marcha mesmo, deslisava com as quatro rodas travadas pela rua. Perigos da neve. A estação de trem lotada de pessoas que provavelmente ficaram com medo de deslizar com seus carros desse jeito ou com preguiça de tirar a neve da frente de suas garagens: "É aqui que pego o trem para Trento?" "Onde se compra o bilhete?" Dentro do trem, a paisagem que vejo diariamente passou de verde, amarelo de outono e rochas, para branco. Tudo branco. O que não é branco, como o tronco das árvores e a parte de baixo das rochas, fica preto pelo contraste. Paisagem em branco e preto. Não sei porque imagino uma guriazinha de vestido vermelho, como no filme "A Lista de Schindler" passeando por ali. Obviamente guriazinhas de vestido vermelho não caminham pela floresta durante nevascas, mas a imaginação é livre. Chego no curso de francês e o assunto não poderia ser outro: la neige! Bonita palavra. Aliás são bonitas as palavras francesas. La neige est belle. La vie est tres belle!

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Crianças Formais

As vezes o italiano soa como um português formal. Pelo menos formal demais para nós braileiros, informais ao extremo. Um tempo atrás eu estava na parada do ônibus e um guri de uns 5 ou 6 anos, após alguma explicação que não ouvi, perguntou ao outro antes de entrarem no ônibus escolar:

- No, non ho capito. Puoi spiegarmi in altro modo?

Aquilo soou para mim como "Não entendi. Podes explicar-me de outro modo, nobre colega Luigi." No Brasil, na mesma situação o piá provavelmente diria:

- Não entendi nada! Explica isso direito cara!

Hoje, eu comendo uma fatia de pizza na Pizza Rio quando entra na mesma pizzaria um guri de uns 4 anos, vai até sua mãe que estava no balcão e puxa a barra da sua calça até chamar sua atenção. Quando finalmente consegue pergunta-a:

- A che punto sei, mamma?

Pra meus ouvidos ele disse algo tipo: "Em que ponto do processo de negociação e aquisição da nossa pizza encontras-te, mamãe?

Versão Brasileira:

- Tô com fome. Vamo prá casa!

Engraçados esses guris. Pelo menos eu achei.