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sábado, 29 de outubro de 2011

Livro da Vez: Casa Grande & Senzala - Gilberto Freyre

Sensacional. Uma sensacional aula de história. Uma verdadeira aula de Brasil. É o tipo de livro que se lê com prazer. O livro que "acrescenta" alguma coisa. E nesse caso é alguma coisa que está dentro de nós mesmos, no inconsciente, na cultura e na história de cada um de nós, brasileiros.

De se ressaltar no livro que ele está falando das pessoas, dos cidadãos, dos índios, dos portugueses e dos escravos negros. Não é um livro sobre os personagens históricos, suas leis, guerras e políticas. Esses são citados apenas de passagem, se tanto. O personagem principal do livro - como também o é da história do Brasil e do mundo - é o cidadão comum. Uma narrativa que se desenvolve em torno dos senhores de engenho, das suas esposas, dos índios, dos negros, dos jesuítas e dos filhos de todos esses. Enfim, em torno do povo brasileiro. Do cotidiano dos tempos coloniais. Às vezes chegando até ao tempo em que foi escrito, no início dos anos 1930.

Trata-se de uma obra extremamente bem documentada. Pesquisa profunda e cuidadosa, citando inúmeras referências. Na edição que eu li, constavam mais de sessenta páginas de bibliografia. Inclusive muitos documentos históricos e jornais do período colonial e do império. Um trabalho muito bem feito. Muito bem feito e muito bem escrito. Um estilo agradável, contundente e que vai além do livro de história para ser também uma obra de literatura, como arte.

Claro que o livro não é cientificamente atualizado ou correto o tempo todo. Há, a meu ver, algum exagero quando ele fala em algumas características genéticas que os povos (e em algum caso, mesmo famílias) possuiriam e que determinariam certas características dessas famílias e povos. Ele também fala em "eugenia" e superioridade de uma "raça" sobre a outra de uma forma que não se fala mais hoje em dia. Quando fala da influência do povo judeu sobre o povo português, por exemplo, chega a beirar o anti-semitismo. Justamente pouco antes da segunda guerra. Mas há que se inserir o autor no contexto do seu tempo, e no princípio dos anos 30, creio eu, a ciência apontava realmente para essas diferenças mais profundas, as quais hoje a ciência nos mostra que não são tão profundas assim, chegando a ser questionado o próprio conceito de "raças" humanas.

Mas o livro transcende essas questões, e faz com que todos os brasileiros se identifiquem com suas origens. Faz com que percebamos de onde viemos e que temos traços do índio, do português e do negro. Uma miscigenação bem sucedida que, pra mim, é um dos maiores motivos de orgulho de ser brasileiro. O fato de que conseguimos conviver em paz e, relativamente unidos como um povo só, independente da diversidade das nossas origens étnicas, culturais ou religiosas tão diversas, enquanto a maioria do resto do mundo ainda se comporta de forma um pouco (ou muito, dependendo do lugar) diferente.

O livro transcende as críticas. Transcende a sociologia e a antropologia. É literatura. E é sobre nós. Sobre o nosso passado. Sobre a nossa infância às vezes. Embora não fale no Rio Grande do Sul, que no período colonial talvez tivesse mais semelhanças com a América espanhola que com o Brasil, é possível, e pra mim inevitável, se identificar com o que ele diz. Mesmo o gaúcho que nunca tenha ido a Bahia, se identifica com o tabuleiro da baiana. Nem que seja através da música do Caetano ou de um gibi do Zé Carioca.

Em resumo, um livro que, ao descrever rituais de danças indígenas, consegue fazer uma ponte para que eu - que nunca sequer vi um índio de perto - consiga identificar nesses rituais lembranças da minha própria infância é um livro especial pra mim. Trata-se de um livro que todo brasileiro deveria ler.


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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Roleta


"A roleta - inventada, ao menos segundo a lenda, por Blaise Pascal ao brincar com a ideia de uma máquina de movimento perpétuo - é basicamente uma grande tigela com partições (chamadas calhas) com a forma de finas fatias de torta. Quando é girada, uma bolinha de gude inicialmente gira pela borda, mas acaba por cair em um dos compartimentos, numerados de 1 a 36 além do 0 (e do 00, em roletas americanas). O trabalho do apostador é simples: adivinhar em qual compartimento cairá a bolinha. A existência de roletas é uma demonstração bastante boa de que não existem médiums legítimos, pois em Monte Carlo, se apostarmos US$1 em um compartimento e a bolinha cair ali, a casa nos pagará US$35. Se os médiums realmente existissem, nós os veríamos em lugares assim, rindo, dançando e descendo a rua com carrinhos de mão cheios de dinheiro, e não na internet, com nomes do tipo Zelda Que Tudo Sabe e Tudo Vê, oferecendo conselhos amorosos 24 horas por dia, competindo com outros 1,2 milhões de médiums na internet (segundo o Google)."

Leonard Mlodinow
em "O Andar do Bêbado"

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Schopenhauer


"Um homem de índole mais elevada crê na juventude que os relacionamentos essenciais e decisivos, e as relações entre os homens, sejam aqueles ideais, ou seja, aqueles que se baseiam em afinidades de princípios, pensamentos, gostos, forças intelectuais, etc.; mais tarde, ele se dará conta que os relacionamentos na verdade são aqueles reais, ou seja, aqueles que se apoiam em algum interesse material. Estes últimos estão na base de quase todos os relacionamentos, a maior parte dos homens não tem sequer conhecimento de outros tipos de relação. Por conseguinte, cada um é levado em consideração de acordo com o seu ofício ou a sua profissão, a sua nacionalidade, a sua família, em outras palavras de acordo com a posição e o papel que a convenção social lhe atribuiu e é portanto classificado e tratado como mercadoria. Aquilo que a pessoa realmente é, como ser humano, aquilo que é graças a qualidades pessoais, é considerado apenas ocasionalmente e em situações excepcionais, sendo em geral completamente ignorado por todos. Quanto mais um homem elevar a própria auto-estima, menos aceitará esse mecanismo e buscará portanto afastar-se do seu domínio."

Tradução livre de trecho de uma edição italiana dos "Aforismos para a Sabedoria de Vida", de Arthur Schopenhauer.

sábado, 9 de outubro de 2010

Livro da Vez: O Diário de Anne Frank

As citações do texto que coloco aqui estão em inglês, tiradas da edição em inglês do diário que eu li. Sinto muito ao leitor que não entende o inglês, mas eu me senti incapaz de traduzir o sentimento expresso nas citações. Ainda sobre as citações, elas podem estragar um pouco alguma surpresa de quem for ler, mas acho que não muito. São apenas amostras do que é o diário em si. Enfim, se não quer saber detalhes de antemão, não leia o texto a seguir e leia o livro que é bem melhor e eu recomendo muito.

Ler o diário foi, pra mim, um grande prazer. E uma surpresa, pela capacidade que uma "guriazinha" de treze a quinze anos pode ter de escrever. É o tipo de texto em que se nota que o autor, a autora no caso, colocou ali o sentimento. Colocou ali sua honestidade. Em se tratando de uma auto-biografia, nos convidou a conhecer sua vida. Seus sentimentos, sua mais individual e pura intimidade. Talvez parte disso seja porque ela, pelo menos no início, não esperava que alguém além dela mesma fosse ler ou se importar com o que ela estava escrevendo. "it seems to me that later on neither I nor anyone else will be interested in the musings of a thirteen-year-old schoolgirl." O fato de o texto não ter inicialmente o objetivo de ser publicado o torna tão honesto quanto possível. E a honestidade, a sinceridade, a realidade de uma vida sem todas as censuras que a sociedade nos impõe é algo muito bonito e fascinante.

Escrevi um parágrafo sobre o diário de Anne Frank e sequer mencionei a guerra. Isso porque, na minha opinião não se trata de um livro sobre a guerra. Se trata muito mais da vida de uma adolescente. Seus sonhos, seus desejos, suas frustrações, suas dúvidas. Dúvidas que ela coloca de uma forma única. Verdadeira. Impressionante. Visceral, pelo menos pra mim. Com a peculiaridade de essa adolescência ter se dado em meio à segunda guerra mundial. A peculiaridade de ser a menina uma integrante do povo que mais sofreu naquela guerra. E a fatalidade de ela ter sido uma das vítimas daquele massacre. Mas não é também um livro sobre judeus. O texto é de uma humanidade tal que transcende qualquer dos rótulos étnico-religiosos que nós criamos para nos sentirmos melhores que aqueles que são ou acreditam em coisas só um pouco diferentes que nós. Não, o texto não é sobre o judaísmo ou sobre o anti-semitismo. A guerra é o pano de fundo. O cenário. O livro é simplesmente humano. É sobre uma criança - "We had a short circuit last night, and besides that, the guns were booming away until dawn. I still haven't got over my fear of planes and shooting, and I crawl into Father's bed nearly every night for confort. I know it sounds childish, but wait till it happens to you!" - e seu amadurecimento, apesar dos pesares. Apesar das dificuldades. Apesar de tudo, ela tinha que crescer, florescer e expressar esse amadurecimento de uma forma encantadora para todos que queiram admirá-lo.


É um livro sobre amadurecimento: "Sometimes, when I lie in bed I feel a terrible urge to touch my breasts and listen to the quiet, steady beating of my heart. Unconsciously, I had these feelings even before I came here. Once, when I was spending the night at Jacque's, I could no longer restrain my curiosity about her body [...] I asked her whether, as proof of our friendship, we could touch each other's breasts. Jacque refused. I also had a terrible desire to kiss her, which I did.". E sobre a inocência de uma adolescente nos anos 30: "A week ago, even a day ago, if you'd asked me, 'Which of your friends do you think you'd be most likely to marry?' I'd have answered 'Sally', since he makes me feel good, peaceful and safe!' But now I'd cry, 'Petel, because I love him with all my heart and all my soul. I surrender myself completely!' Except for that one thing: he can touch my face, but that's as far as it goes."

A menina é muito madura para a idade ao discutir temas complexos como feminismo, política e claro, o grande assunto de então, a guerra. Guerra que para ela e todos os envolvidos era constante causa de medo, desespero. Ainda que, no caso dela, sem perder a esperança. "I've reached the point where I hardly care whether I live or die. The world will keep on turning without me, and I can't do anything to change events anyway. I'll just let matters take their course and concentrate on studying and hope that everything will be alright at the end."


E, como todo o diário, é também uma invasão aos sentimentos mais íntimos da autora. Intimidade nos sentimentos (ou falta de) sobre a mãe - "I can't talk to her, I can't look lovingly into those cold eyes, I can't. Not ever! -If she had even one quality an understanding mother is supposed to have, gentleness or friendliness or patience or something, I'd keep trying to get close to her. But as for loving this insensitive person, this mocking creature-it's becoming more and more impossible every day!"

Passagem muito curiosa e, de certa forma, bonita: "When you are standing up, all you see from the front is hair. Between your legs there are two soft, cushiony things, also covered with hair, which press together when you are standing, so you can't see what's inside. They separate when you sit down […detalhada descrição anatômica...] The hole's so small I can barely imagine how a man could get in there, much less how a baby could come out. It's hard enough trying to get your index finger inside. That's all that is, and yet it plays such an important role!"

Encerro com uma pequena frase do fim do diário: "Maybe, Margot says, I can even go back to school in September or October.". Especialmente comovente porque sabemos que ela morreria poucos meses depois, em um campo de concentração. Ela que queria tão pura e simplesmente voltar pra escola. Se algum dos leitores do blog tiver alguma explicação racional para a guerra, favor compartilhar nos comentários.

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Livro da Vez:
Do Androids Dream of Electric Sheep?
Philip K. Dick

Bueno, mais um livro que vale a pena comentar aqui. Coloquei o título em inglês porque o título no Brasil (O Caçador de Andróides) tem mais a ver com o filme ao qual o livro deu origem do que com o livro. Pois é, esse é o livro em que foi inspirado o Blade Runner. Ao contrário do "Clube da Luta" em que o filme é bastante fiel ao livro homônimo, o Blade runner é apenas inspirado no "Do Androids Dream of Electric Sheep?". Depois que eu escrevi este texto eu me dei conta que durante todo o tempo eu assumi que o leitor viu o filme. Se você não viu o filme talvez seja complicado entender algumas coisas que eu escrevi. Mas poxa, é cultura pop. Vá ver o filme, se não viu, e volte aqui depois. O resto do texto é praticamente comparando o filme com o livro.

Sim, existem andróides nas duas obras. Sim, o protagonista é um "caçador de andróides". Mas há muitas diferenças. Os andróides do livro não são chamados de "replicantes" e não possuem força nem inteligência sobre-humanas. No filme o líder dos replicantes chega a quebrar paredes, mas no livro eles são fisicamente humanos, com a única diferença prática sendo a ausência de emoções. Alguns personagens são apresentados em contextos diferentes no livro e no filme. A andróide que no livro é cantora de ópera, no filme virou dançarina com cobras em um bar. O motorista de caminhão "retardado" do livro (se é que retardado é a tradução apropriada para "chickenhead") é engenheiro genético e tem por hobby fabricar brinquedos para uso pessoal no filme, e por aí vai. Não quero falar mais de diferenças específicas para evitar estragar as surpresas de quem não leu o livro.

Uma coisa boa foi o fato de eu praticamente não me lembrar do filme quando li o livro. Eu tinha visto há muito tempo atrás, e só fui rever agora depois de ler o livro. Isso foi bom porque me permitiu imaginar o mundo e os andróides quase sem a influência das imagens do filme. E os andróides do livro, ou os que eu imaginei, são mais humanos e menos bizarros que os do filme. Ok, eles não têm emoções. Eles não dão a mínima se um humano, animal ou andróide morre. Eles matarão um humano ou andróide sem pestanejar se sua sobrevivência depender disso. Mas eles não são violentos gratuitamente como os do filme. Os andróides do livro querem simplesmente sobreviver sem ser escravos nem mortos por nenhum blade runner (termo que também só existe no filme). Desta forma, no livro é possível questionar se seria correto o extermínio de andróides promovido pelos humanos, ao passo que no filme os andróides são tão repulsivos e assassinos que praticamente merecem morrer, com exceção da namoradinha do Harrison Ford. Aliás o protagonista do livro é casado, e o do filme não. Em suma, foi possível pra mim simpatizar com os andróides do livro, mas não com os do filme. Ainda, no livro não há qualquer sugestão de que o protagonista possa ser um andróide, ao contrário do filme em que essa parece ser a explicação mais plausível para a cena do unicórnio.

Há ainda uma série de informações sócio-culturais sobre o mundo futurista que são apenas sugeridas ou sequer mencionadas no filme envolvendo religião, comunicação de massa, drogas e a obsessão dos humanos por animais. Praticamente extintos, os animais são um símbolo de status no mundo imaginado por Dick. O protagonista tem uma "ovelha elétrica", e sonha em ter um animal de verdade, que seria muito caro. Esse é um dos motivos para ele correr atrás das recompensas por andróides. Mas essas questões eu até entendo que são difíceis de se aprofundar no cinema. Já as mudanças no papel dos personagens e na natureza dos andróides são mais para agradar ao diretor do que para adaptar a história à linguagem do cinema.

Mas como reclamar de um clássico do cinema como Blade Runner? É um grande filme, sem dúvida. Mas eu particularmente prefiro o livro. E recomendo. Leia e tre suas conclusões.

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Livro da Vez:
Rua dos Cataventos & Outros Poemas
Mário Quintana

Dentre as coisas que fiz em Porto Alegre, comprei um livrinho chamado "Quintana de Bolso - Rua dos Cataventos & Outros Poemas" na feira do livro. Bom demais. Li uma parte no Bosque dos Jequitibás em Campinas, uma parte no avião e outra parte aqui na Itália. Não sei se era saudade de ler em português, saudade do bosque, ou se é bom esse Quintana mesmo. Provavelmente as três coisas. Divido com vocês dois dos poemas que mais gostei.

O primeiro, dedico aos meus verdadeiros amigos:

Intermezzo

Nem tudo pode estar sumido

ou consumido…
Deve – forçosamente – a qualquer instante
formar-se, pobre amigo, uma bolha de tempo nessa Eternidade…

e onde
- o mesmo barman no mesmo balcão,
por trás a esplêndida biblioteca de garrafas,
fonte de nossa colorida erudição -
haveremos de continuar aquela nossa velha discussão
sobre tudo e nada
até
que, fartos de tudo e nada,
desta e da outra vida,
a rir como uns perdidos,
a chorar como uns danados,
beberemos os dois nos crânios um do outro…
até o teto desabar!

(Perdão! até a bolha rebentar…)

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O segundo, fala sobre o que o poeta quer levar quando morrer.

Quando eu Morrer
Quando eu morrer e no frescor de lua
Da casa nova me quedar a sós,
Deixai-me em paz na minha quieta rua...
Nada mais quero com nenhum de vós!

Quero é ficar com alguns poemas tortos
Que andei tentando endireitar em vão...
Que linda a Eternidade, amigos mortos,
Para as torturas lentas da Expressão!...

Eu levarei comigo as madrugadas,
Pôr-de sóis, algum luar, asas em bando,
Mais o rir das primeiras namoradas...

E um dia a morte há de fitar com espanto
Os fios de vida que eu urdi, cantando,
Na orla negra do seu negro manto...

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Na verdade, o que eu mais gosto nesse poema é um simples verso: "Mais o rir das primeiras namoradas..." Pra mim, esse verso já é um poema. Grande Quintana. Recomendo o livrinho, tem muitos outros poemas geniais. Muito bom!

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Da Série: Livros que Eu Gostaria de Ter

"I Slept With Joey Ramone", biografia do Joey Ramone, escrita pelo irmão dele. A ser lançada nos EUA dia primeiro de dezembro. O Joey Ramone é um grande símbolo do punk rock. O punk fala de fazer grandes coisas do nada. Do lixo, praticamente. Joey era um cara esquisito, tímido ao extremo, fechado, introspectivo, não se relacionava bem com a maioria das pessoas. Mas achou a saída para sua depressão na música. Primeiro ouvindo, e finalmente fazendo música de, na minha opinião, primeiríssima qualidade. Passou do cara mais rejeitado a um grande ídolo de uma legião de fãs, entre os quais me incluo. Gabba Gabba Hey!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Livro da Vez: Fight Club - Chuck Palahniuk


Faz um bom tempo que eu não posto nada sobre livros, então chegou a hora. Andei lendo pouco, e coisas que não valiam a pena colocar aqui. Mas "O Clube da Luta" vale muito a pena. Tá, é na linha de livros violentos e talvez até "subversivos", de certa forma. Mas, como eu já fdalei em resenhas de outros livros, eu gosto de livros que desafiem, ofendam, impressionem seja pela beleza, pela violência ou pelo inesperado. Enfim, livros que causem algum efeito no leitor. Acho que todo mundo já viu o filme, então vou seguir sem medo de estragar a "surpresa da história (se alguém ainda não viu este baita filme, que pare de ler por aqui). Além da violência e da subversão, outra característica do "Fight Club" que eu gosto, e talvez seja sua principal característica, é o conflito psicológico. Os conflitos internos que todos nós temos e dos quais Tyler Durden é a personificação extrema. É justamente nessa parte psicológica que o livro acrescenta algo a quem já viu o filme. O livro se aprofunda mais na psicologia, nas idéias e pensamentos do narrador e de Tyler. Não poderia ser diferente, um livro é um veículo melhor para descrever esse tipo de coisa. E nesse sentido foi muito legal ler o livro. Revendo o filme depois de ler, eu prestei atenção em frases e passagens do filme as quais não tinha fixado antes. Acho que a adaptação para o cinema foi muito boa. Dentro do possível, passou-se muito do livro para a tela. Acho que a essência da história está ali. Com as vantagens e desvantagens do veículo de comunicação diferente, e com algumas mudanças na história, principalmente no final, que podem desagradar aos puristas, mas que para mim não fazem muita diferença já que a essência da história foi mantida. E é uma grande história. Impressionante. Enfim, eu recomendo bastante o livro pra quem gostou do filme e o filme pra quem gostou do livro. E qualquer um dos dois pra quem não viu nem leu a história. É algo raro, que ambos filme e livro sejam igualmente bons e se completem desta forma. Me lembro que na época do lançamento do filme, um maluco entrou dando tiros em um cinema em São Paulo. Para evitar coisas do tipo, vá ler/assistir tendo em mente que é apenas um livro/filme. Um livro/filme perturbador, mas apenas um livro/filme. Bom divertimento.

"All the ways you wish you could be, that's me. I look like you wanna look, I fuck like you wanna fuck, I am smart, capable, and most importantly, I am free in all the ways that you are not."
Tyler Durden


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terça-feira, 10 de março de 2009

To Write or Not to Write

De vez em quando sai um post assim. Sem muito assunto. Sem nenhum sentido. Só pra não deixar o blog morrer.

Domingo eu li uns sonetos do Shakespeare. Confesso que não entendi patavinas. No livro todo não achei nenhum que me dissesse algo significativo o bastante para que eu pudesse colocar aqui. Fiquei decepcionado com o meu inglês. Ou com a minha capacidade de compreensão de "sonetos de amor". O cara "is supposed to be" genial. O Abujamra disse uma vez que "se lês Shakespeare e não gostas, a culpa é tua, não do Shakespeare". Mas eu não culpo ninguém. Muito menos o Shakespeare. E também não quero me culpar. Quem sabe uma outra vez. Depois eu releio. Ou não. Azar do Shakespeare. Prefiro o Drummond. Prefiro essa piada de ventríloquo do blog do Fonseca. Estou achando que o sentido da vida é não se preocupar. Relaxar e gozar, seja lá o que for ou como for.

Eu avisei que não tinha nenhum sentido...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Drummond - Ana Cristina Matias

Dos blogs que eu "freqüento", sem dúvida o da Ana Cristina Matias é o mais poético. E esses dias ela postou lá um poema do Carlos Drummond de Andrade bonito demais. O Drummond é sem dúvida o meu poeta preferido. Eu acho que ele escreve de maneira acessível a qualquer pessoa. Algumas poesias por aí são, na minha opinião, muito "pedantes", desnecessariamente complicadas. O Drummond não. Ele é direto. Claro. Não precisa ter nenhum "preparo" para ler o Drummond. Basta ter a vontade de ler. E de se maravilhar. E de se inspirar. O cara é genial. Genial!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Michael Crichton

Poxa, fiquei sabendo agora pelo GoodReads que o Michael Crichton faleceu em novembro passado. Lamentável. O cara era um grande autor de ficção científica. Autor de Jurassic Park (que eu não li) e de alguns bons livros que eu li como "Linha do Tempo", "A Presa" e "Eaters of the Dead" (se não me engano o título em português é "Devoradores de Mortos"). O câncer não perdoa mesmo. Já nos levou dois Ramones, agora o Crichton...

Bueno, os livros dele estão aí pra preservar sua memória. Leiamos!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

"Meme" Literário

"Meme" recebido da Andréia.

1. Livro/Autor(a) que marcou sua infância:

Putz, vale gibi? Eu não me lembro de nenhum livro em especial na infância. Seria "cool" dizer que eu li o Monteiro Lobato, mas não li. O que eu lia muito nessa época era a turma da Mônica. Gibis da Mônica, Cascão, Cebolinha, "Almanacão" de Férias... Também lia, mas um pouco menos, gibis Disney. O Zé Carioca era bem legal. E gostava de historinhas do Recruta Zero, mas quase nunca tinha nas bancas. Então, se eu tenho que dizer um autor, que seja o Maurício de Souza. Se tem que ser um autor "mais sério", eu diria o Ziraldo. Eu me lembro de ler algumas coisas dele, tipo "O Menino Maluquinho", o Saci Pererê, ... mas isso também é meio gibi. Acho que a melhor literatura infantil é gibi mesmo.

2. Livro/Autor(a) que marcou sua adolescência:

Nessa época eu lia gibis "adultos". Muito Batman, Homem-Aranha, X-Men, Graphic Novels e qualquer super-herói que aparecesse. E também revistinhas cômicas como "Mad", "Geraldão" e o melhor de todos: "Groo, O Errante". Eu tinha uma coleção de gibis respeitável, mas que hoje em dia deve estar sendo comida pelas traças lá no Cassino. Tá, mas nessa época eu comecei a ler livros "de verdade" também. Li muita coisa da série Vagalume. Meu preferido era o Marcos Rey. Tinha histórias de mistério como "Um Cadáver Ouve Rádio", ou "O Mistério do 5 Estrelas". Ambas muito legais. Me lembro que o protagonista se chamava "Leo". Outro livro legal do Marcos Rey era "Garra de Campeão", sobre motocross, vencer desafios, etc.

3. Autor(a) que mais admira:

É difícil falar em autores, pois dificilmente eu leio mais que dois ou três livros de um mesmo autor, de forma que não posso julgar toda a obra dos caras. Mas um que é exceção, pois li muita coisa dele é o Luís Fernando Veríssimo. Genial. Escreve com uma simplicidade, como quem bate um papo. É capaz de falar sobre passar manteiga no pão e outras coisas mais cotidianas que o próprio cotidiano. E é sempre muito divertido. Ed Mort, O Analista de Bagé, Comédias da Vida Privada, ...

Também gosto do que eu li de Oscar Wilde, de Nietzsche, do Freud, do Carl Sagan, do Noam Chomsky, ...

4. Autor(a) contemporâneo:

Bom, o Veríssimo e o Chomsky ainda são contemporâneos. Mas aproveito o espaço pra citar outros caras, de novo com a ressalva de que os cito por causa de um ou dois livros que li de cada. Cito então Irvine Welsh, Rubem Fonseca, Khaled Hosseini, Fabio Volo, Drauzio Varella e por aí vai.

5. Leu e não gostou:

Neve, de Orham Pamuk, Nobel de literatura esse ano ou ano passado. Não que seja ruim, mas achei meio chato, muito parado.

6. Lê e relê:

O Mundo Assombrado Pelos Demônios, do Carl Sagan. É a minha Bíblia.

7. Manias:

Quando começo a ler um livro, posto-o no meu goodreads. Se o livro não está cadastrado no site, me presto a cadastrar o livro, autor, ISBN e a fazer download da "capinha" de algum outro site. Assim que acabo de ler um livro, posto que acabei de ler no goodreads e guardo-o na minha estante. Se o livro for muito bom, escrevo sobre ele aqui no blog na seção "Livro da Vez". Clicando ali na sidebar dá pra acessar todos os "livros da vez" sobre os quais já escrevi.

8. Quero ler em 2009:

So many books, so little time. Tem uma lista de coisas que quero ler aqui. Qualquer um desses que eu tiver a oportunidade de ler, em 2009 ou depois, o farei.

A pior parte desse negócio de "meme" é passar adiante. Alguém quer encarar? Fonseca? Aninha? Freakie? Hugo? Débora? Se abracem!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Curtas

Como muitas das pessoas que visitam este blog se interessam pela minha vida, gostaria de recomendar os posts "Retrospectiva" e "Retrospectiva (2a. Parte)" no blog da minha irmã, pois ela fala de viagens das quais eu também participei nestes posts, que estão muito bem escritos e detalhados.

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Que diabos, toda vez que eu faço um post elogiando o time do Inter, ele perde no próximo jogo. Seria este blog pé-frio? Acho que só volto a falar de futebol no fim do campeonato...

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Ultimamente li "1984", de George Orwell e "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde. Ambos muito bons. Seriam dignos de ser "livros da vez". Não os coloquei como tal porque falar sobre clássicos é "chover no molhado" e porque o tempo anda curto, mas são os livros que eu li recentemente e ambos muito bons. Recomendo.

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Não consegui ir na Oktoberfest porque a maldita excursão estava lotada...

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Comecei hoje um curso de francês no CIAL. Meu medo era que, como estou no nível mais básico possível, o curso estivesse lotado de estrangeiros que não sabem nem dizer "bonjour" e que atrasariam muito o nível do curso. Mas não. O curso só tem italianos. Aliás, muito mais italianas que italianos :-). Acho que só eu de "estrangeiro". A própria professora falou que o italiano e o francês são idiomas "primos", e portanto acho que o curso vai ser de um bom nível e possibilitar um bom aprendizado. Veremos. Allez le Bleus!

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Começo quinta-feira um curso de "danças caribenhas" lá em Pergine. Salsa, merengue e afins. Eu nunca fui um grande dançarino de coisa nenhuma, mas vou encarar essa e ver se aprendo a "ballare" um pouco.

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Segue a família Branco na prefeitura da minha Rio Grande. Se não me engano pelo quarto mandato consecutivo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

George Orwell - 1984 - Versione Italiana

[...] Con lei tutto finiva per essere rapportato alla sua sessualità. Non appena si toccava un argomento del genere, dimostrava comunque di possedere una notevole perspicacia. A differenza di Winston, per esempio, aveva colto perfettamente il senso del puritanesimo del Partito in campo sessuale. Non si trattava solo del fatto che l'istinto sessuale dava forma a un mondo a sé, fuori del controllo del Partito, e quindi da distruggere - almeno nei limiti del possibile. Di gran lunga più rilevante era il fatto che la repressione sessuale produceva isteria, uno stato d'animo auspicabile, perché poteva essere indirizzato verso la psicosi bellica e verso il culto del capo. Lei la metteva in questi termini:

"Quando fai l'amore, consumi energia. Dopo ti senti felice e te ne freghi di tutto il resto, e questo loro non possono permetterlo. Loro vogliono che tu stia sempre lì a scoppiare d'energia: tutte queste marce, queste grida di acclamazione, questo sventolio di bandiere, non sono altro che sesso andato a male. Se dentro di te ti senti felice, perché mai ti dovresti entusiasmare per il Grande Fratello, i Piani Triennali, i Due Minuti d'Odio e tutta quella merda?"

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cinema Riograndino

Apesar de estar aqui tão longe, eu fico sempre ligado no que acontece na minha cidade. Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Fiquei sabendo a pouco, na comunidade da cidade no Orkut que uma produção riograndina foi um dos curtas vencedores do concurso "Bruxa Experimental" organizado por Paulo Coelho para selecionar curtas metragens que formarão um longa baseado no livro "A Bruxa de Portobello". Houveram cerca de 6000 concorrentes do mundo inteiro, alguns com muito mais recursos que o filme de Rio Grande, e o filme gaúcho foi um dos selecionados. Aliás foi o único curta brasileiro vencedor. Quem quiser dar uma conferida, o filme está disponível aqui. Como o curta é um capítulo do meio do livro, a compreensão fica meio prejudicada para quem não leu o livro. Mas só por ver uma produção de qualidade, cenários e atores da nossa cidade já vale a pena. E depois esperemos o longa. Parabéns ao Fernando Espíndola, diretor do filme e à toda a equipe.

Falando em cinema e em Rio Grande, aproveito para cumprimentar também os responsáveis pelo Cine Dunas, cinema do Cassino e que agora abriu também no centro. Um grande incentivo a cultura. Uma cidade como a nossa não poderia ficar sem um cinema. Sucesso ao Dunas.

sábado, 23 de agosto de 2008

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro, sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Livro da Vez: Life of Pi - Yann Martel

Muito bom livro esse "Life of Pi", ou "Vida de Pi" na versão brasileira. Bom pela situação insólita descrita. Bom pela filosofia por detrás da história. Bom pela originalidade. Bom por ser um texto fantástico mas ainda assim crível, descontados alguns "balões" (um "balão", é uma gíria antiga da minha cidade que significa algo "impossível", uma cena de filme em que a pessoa diz "ah, pára, isso aí só em filme mesmo..." é um "balão", ou um "baita balão"). Balões esses que quem tem fé dirá que são "milagres", mas enfim.

A situação insólita em que o livro nos coloca é a seguinte: Piscine Molitor Patel, conhecido por seus colegas de escola como "Pi" é um guri indiano de 16 anos cujo pai é proprietário de um zoológico. Pi pratica, ao mesmo tempo, três religiões: hinduísmo, catolicismo e islã e se interessa muito por animais, aprendendo muito com o pai. A família decide mudar-se para tentar uma vida melhor no Canadá e embarca em um navio da Índia para o Canadá. No mesmo navio estão sendo transportados alguns animais do zoo que foram vendidos para compradores na América. O tal navio naufraga. Como sobreviventes em um barco salva-vidas restam apenas Pi, uma zebra, uma urangotango e um tigre de Bengala. A maior parte do livro trata da sobrevivência do guri nestas condições. Como se já não fosse desesperador o bastante estar perdido no meio do oceano Pacífico, o menino ainda tem que lidar com um tigre, um animal não muito dócil.

O livro é muito bem escrito, e é verdade o que eu li em algum lugar a respeito: "em alguns momentos o livro nos faz sentir o sal da água do mar na pele". É interessante quando o livro nos faz sentir a angústia do personagem. Nos faz sentir como se estivéssemos na pele dele. Na minha opinião esse livro faz isso muito bem.

A filosofia por trás da história tem a ver com fé, religião, Deus e etc. Eu não concordo com a conclusão do livro, mas só comentaria isso em detalhes com alguém que tenha lido o livro, pois não gostaria de falar do final aqui. Mas enfim, é um excelente livro, e como todos os "livros da vez" aqui do blog eu recomendo.

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sábado, 19 de julho de 2008

Livro da Vez:
Meu Nome Não é Johnny - Guilherme Fiuza

Tem alguns temas que parecem inesgotáveis. O tráfico de drogas e a "vida de bandido" entre tiroteios e prisões é um deles. Pelo menos pra mim. Se a coisa for baseada em fatos reais então, melhor ainda. Eu já li "Abusado" e "Estação Carandiru", dois excelentes livros que a esta altura dispensam apresentações. Já vi o "Cidade de Deus" e o "Tropa de Elite" entre muitos outros filmes do gênero. Ontem mesmo eu assisti "American Gangster", com Denzel Washington e Russel Crowe e direção do Ridley Scott. Muito bom filme.

Esse post é sobre mais um livro desse tipo. Desta vez a história de um cara que nasceu na burguesia do Rio de Janeiro, tinha tudo pra ser o que quisesse na vida. E acabou escolhendo ser traficante de cocaína. O livro trata da ascensão e queda de João Estrella, o tal traficante, cujo nome não é Johnny como noticiavam os jornais da época. É um livro menos violento e mais humano que "Abusado", por exemplo. Acho que mostra melhor o lado humano do protagonista. Não há o cenário insólito do morro a ser descrito. O cenário são apartamentos, ruas movimentadas, aeroportos, e outros ambientes que o leitor já conhece, sobrando espaço para o autor focar mais em Estrella, na sua personalidade, desejos e pensamentos.

Enfim, eu sou suspeito para falar, pois como deu pra notar eu gosto do gênero. Mas achei o livro muito bom, e recomendo. Quero muito ver o filme, com o Selton Mello que para mim é um dos melhores (se não for o melhor) atores do Brasil. O problema é que para ver filme brasileiro aqui, só pirateando. E piratear filme brasileiro é crime. Quem sabe eu vejo na próxima ida ao Brasil.

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segunda-feira, 7 de abril de 2008

Freud


Eu li nesse fim de semana um livro intitulado "O Mal-Estar na Civilização", do Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Impressionante como "o pai da psicanálise" é praticamente um sobrenome do nosso amigo Freud, e eu não consegui fugir de mais esse óbvio "lugar comum". Mas o que eu quero dizer é que o livro é extremamente interessante. Fala da angústia do ser humano em meio a uma civilização que, por um lado, o protege de muitas ameaças como doenças, animais selvagens, crimes (até certo ponto), entre outras mazelas; mas por outro lado tolhe muito de nossa liberdade e dos nossos instintos naturais. É muito bom ler um livro em que se pode perceber idéias realmente originais. Onde podes (e deves) parar a leitura e pensar "Putz, não tinha pensado nisso. Mas faz sentido...hm, mas será que...". Um livro que apresenta novos paradigmas (novos pra mim que nunca tinha lido o Freud, claro). Sou fascinado por livros que me fazem pensar. Não coloquei este como um "livro da vez" porque o "livro da vez" anterior ainda é muito recente e porque quero ler mais coisas de Freud (recebi recomendações abalizadas para ler pelo menos outros dois textos que já estão na minha lista de coisas para ler: "Totem e Tabu" e "Futuro de Uma Ilusão") para depois recomendar o(s) que eu gostar mais. Aliás foi o livro "Jogo de Damas" (post anterior) que me despertou o interesse de ler esse do Freud. Grande David Coimbra.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Livro da Vez: Jogo de Damas - David Coimbra


Achei muito bom esse livro do David Coimbra, chefe dos esportes e colunista do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Muito bom porque aborda assuntos muito interessantes como história, arte, religião e filosofia. Muito bom porque aborda esses assuntos destacando as mulheres, a própria razão da existência. Muito bom porque aborda esses assuntos sem, em nenhum momento, ser chato ou cansativo. Muito pelo contrário. O livro tem muito bom-humor. Um humor sadio, leve e ao mesmo tempo afiado. Eu gosto de autores que escrevem com naturalidade. O tipo de texto que te faz sentir como se estivesse em uma mesa de bar ouvindo uma história contada por um amigo. Te apresenta uma corrida de bigas na Roma antiga como se fosse um jogo de futebol do domingo passado, ou uma desilusão amorosa do Nietzsche como se fosse a de um conhecido do bairro. Eu achei que o David Coimbra escreve assim. Também acho que o Luis Fernando Veríssimo escreve assim. Talvez seja porque são gaúchos, e portanto, de alguma forma familiares para mim. De qualquer forma, acho que tem algo de especial no jeito que esses caras escrevem, e no seu humor. Difícil um livro fazer a pessoa rir. Rir a ponto de ter que parar a leitura por um tempo. Esse "Jogo de Damas" me fez rir, mais de uma vez.

Melhor ainda que um livro que te faz rir, é um livro que te faz rir e te ensina ao mesmo tempo. Apesar de ser um livro engraçado, me pareceu muito bem pesquisado e baseado em fatos históricos e filosofias reais. Fica claro para o leitor o que é história, o que é um fato engraçado, o que é um pensamento do autor e o que é só uma piada mesmo.

Não sei se eu soube explicar o que é, afinal, esse livro. Seguem uns trechos, para que tenhas uma idéia, caro internauta (ainda se usa essa palavra "internauta"?):

"Nas cidades romanas, antes da Idade das Trevas, havia aquedutos que forneciam água limpa e de boa qualidade à população, havia termas e banhos públicos. Inclusive alguns banhos mistos, onde eram aceitos homens e mulheres ao mesmo tempo. Essa modalidade de banhos descambou para a sacanagem, e era muito divertido."

"Na Inglaterra, uma das filhas de Henrique VIII, Maria, lutaria com tanto denodo em favor do catolicismo que passou à História com a alcunha de Bloody Mary, ou Maria Sanguinária, nome de um drinque de sabor medonho feito com vodka, suco de tomate, limão, sal e molho inglês, não beba isso, peça um chope."

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