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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Livro da Vez:
Rua dos Cataventos & Outros Poemas
Mário Quintana

Dentre as coisas que fiz em Porto Alegre, comprei um livrinho chamado "Quintana de Bolso - Rua dos Cataventos & Outros Poemas" na feira do livro. Bom demais. Li uma parte no Bosque dos Jequitibás em Campinas, uma parte no avião e outra parte aqui na Itália. Não sei se era saudade de ler em português, saudade do bosque, ou se é bom esse Quintana mesmo. Provavelmente as três coisas. Divido com vocês dois dos poemas que mais gostei.

O primeiro, dedico aos meus verdadeiros amigos:

Intermezzo

Nem tudo pode estar sumido

ou consumido…
Deve – forçosamente – a qualquer instante
formar-se, pobre amigo, uma bolha de tempo nessa Eternidade…

e onde
- o mesmo barman no mesmo balcão,
por trás a esplêndida biblioteca de garrafas,
fonte de nossa colorida erudição -
haveremos de continuar aquela nossa velha discussão
sobre tudo e nada
até
que, fartos de tudo e nada,
desta e da outra vida,
a rir como uns perdidos,
a chorar como uns danados,
beberemos os dois nos crânios um do outro…
até o teto desabar!

(Perdão! até a bolha rebentar…)

---

O segundo, fala sobre o que o poeta quer levar quando morrer.

Quando eu Morrer
Quando eu morrer e no frescor de lua
Da casa nova me quedar a sós,
Deixai-me em paz na minha quieta rua...
Nada mais quero com nenhum de vós!

Quero é ficar com alguns poemas tortos
Que andei tentando endireitar em vão...
Que linda a Eternidade, amigos mortos,
Para as torturas lentas da Expressão!...

Eu levarei comigo as madrugadas,
Pôr-de sóis, algum luar, asas em bando,
Mais o rir das primeiras namoradas...

E um dia a morte há de fitar com espanto
Os fios de vida que eu urdi, cantando,
Na orla negra do seu negro manto...

---

Na verdade, o que eu mais gosto nesse poema é um simples verso: "Mais o rir das primeiras namoradas..." Pra mim, esse verso já é um poema. Grande Quintana. Recomendo o livrinho, tem muitos outros poemas geniais. Muito bom!

Compre "Quintana de Bolso" no





segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Poesia Gaudéria

China
Jayme Caetano Braun

A maior das gauchadas
Que há na Sagrada Escritura,
- Falo como criatura,
Mas penso que não me engano! -
É aquela, em que o Soberano,
Na sua pressa divina,
Resolveu fazer a china
Da costela do Paisano!

Bendita china gaúcha
Que és a rainha do pampa,
E tens na divina estampa
Um quê de nobre e altivo.
És perfume, és lenitivo
Que nos encanta e suaviza
E num minuto escraviza
O índio mais primitivo!

Fruto selvagem do pago,
Potranquita redomona,
Teus feitiços de madona
Já manearam muito cuera,
E o teu andar de pantera,
Retovado de malícia
Nesta querência patrícia
Fez muito rancho tapera!

Refletem teus olhos negros
Velhas orgias pagãs
E a beleza das manhãs,
Quando no campo clareia...
Até o sol que te bronzeia
Beijando-te a estampa esguia
Faz de ti, prenda bravia
Uma pampeana sereia!

Jamais alguém contestou
O teu cetro de realeza!
E o trono da natureza
É teu, chinoca lindaça...
Pois tu refletes com graça
As fidalgas Açorianas
Charruas e Castelhanas
Vertentes Vivas da Raça!

A mimosa curvatura
Desse teu corpo moreno
É o pago em ponto pequeno
Feito com arte divina,
E o teu colo que se empina
Quando suspiras com ânsia
São dois cerros na distância
Cobertos pela neblina.

Quem não te adora o cabelo
mais negro que o picumã?
E essa boca de romã
Nascida para o afago,
Como que a pedir um trago
Desse licor proibido
Que o índio bebe escondido
Desde a formação do Pago?

Pra mim tu pealaste os anjos
Na armada do teu sorriso,
Fugindo do Paraíso,
Para esta campanha agreste,
E nalgum ritual campestre,
Por força do teu encanto,
Transformaste o pago santo
Num paraíso terrestre!

terça-feira, 28 de abril de 2009

O Hino do Estado do Rio Grande do Sul

O Hino Rio-Grandense é o hino oficial do estado do Rio Grande do Sul. Tem letra de Francisco Pinto da Fontoura, música de Comendador Maestro Joaquim José Mendanha e harmonização de Antônio Corte Real. A obra original possuía uma estrofe que foi suprimida, além de uma repetição do estribilho, pelo mesmo dispositivo legal que a oficializou como hino do estado - A lei nº 5.213, de 5 de Janeiro de 1966. O Rio Grande do Sul é provavelmente o lugar do Brasil em que o hino do estado é mais popular, sendo por exemplo cantado frequente e espontaneamente pelas torcidas de Inter, Grêmio e outros clubes gaúchos nos campos de futebol.

Hino Rio-Grandense


Como aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o vinte de setembro
O precursor da liberdade

Refrão
Mostremos valor constância
Nesta ímpia injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra
De modelo a toda terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda terra

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Refrão

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ditados Gaúchos

Quieto no Canto como guri cagado...
Mais ligado que rádio de preso
Mais curto que coice de porco
Firme que nem prego em polenta
Mais nojento que mocotó de ontem
Saracoteando mais que bolacha em boca de véia
Solto que nem peido em bombacha
Mais curto que estribo de anão
Mais pesado que sono de surdo
Calmo que nem água de poço
Mais amontoado que uva em cacho
Mais perdido que cego em tiroteio
Mais perdido que cachorro em dia de mudança
Mais perdido do que cusco em procissão
Mais faceiro que guri de bombacha nova
Mais assustado que véia em canoa
Mais angustiado que barata de ponta-cabeça
Mais por fora que quarto de empregada
Mais por fora que surdo em bingo
Mais sofrido que joelho de freira em semana Santa
Feliz que nem lambari de sanga
Mais ansioso que anão em comício
Mais apertado que bombacha de fresco
Mais apressado que cavalo de carteiro
Mais arisca do que china que não quer dar
Mais atirado que alpargata em cancha de bocha
Mais baixo que vôo de marreca choca
Mais bonita que laranja de amostra
De boca aberta que nem burro que comeu urtiga
Mais chato que gilete caída em chão de banheiro
Mais caro que argentina nova na zona
Mais cheio que corvo em carniça de vaca atolada
Mais constrangido que padre em puteiro
Mais conhecido que parteira de campanha
Mais comprido que puteada de gago
Mais comprido que cuspe de bêbado
Mais coxuda que leitoa em engorde
Devagarzito como enterro de viúva rica
Mais difícil que nadar de poncho
Mais duro que salame de colônia
Mais encolhido que tripa na brasa
Extraviado que nem chinelo de bêbado
Mais faceiro que mosca em tampa de xarope
Mais faceiro que ganso novo em taipa de açude
Mais faceiro que pica-pau em tronqueira
Mais feliz que puta em dia de pagamento de quartel
Mais feio que briga de foice no escuro
Mais feio que sapato de padre
Mais feio que paraguaio baleado
Mais feio que indigestão de torresmo
Mais firme que palanque em banhado
Mais por fora que cotovelo de caminhoneiro
Mais gasto que fundilho de tropeiro
Mais gostoso que beijo de prima
Mais grosso que dedo destroncado
Mais grosso que rolha de poço
Mais grosso que parafuso de patrola
Mais informado que gerente de funerária
Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro
Mais nervoso que potro com mosca no ouvido
Quente que nem frigideira sem cabo
Mais sério que defunto
Mais sujo que pau de galinheiro
Tranqüilo que nem cozinheiro de hospício
Tranqüilo que nem água de poço
Bobagem é espirrar na farofa
Mais gorduroso que telefone de açougueiro
Mais perdido que cebola em salada de frutas
Mais feliz que gordo de camiseta
Mais chato que chinelo de gordo

Obs.:Não perguntem de onde tirei isso, porque:
Quem revela a fonte é água mineral!!!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cinema Riograndino

Apesar de estar aqui tão longe, eu fico sempre ligado no que acontece na minha cidade. Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Fiquei sabendo a pouco, na comunidade da cidade no Orkut que uma produção riograndina foi um dos curtas vencedores do concurso "Bruxa Experimental" organizado por Paulo Coelho para selecionar curtas metragens que formarão um longa baseado no livro "A Bruxa de Portobello". Houveram cerca de 6000 concorrentes do mundo inteiro, alguns com muito mais recursos que o filme de Rio Grande, e o filme gaúcho foi um dos selecionados. Aliás foi o único curta brasileiro vencedor. Quem quiser dar uma conferida, o filme está disponível aqui. Como o curta é um capítulo do meio do livro, a compreensão fica meio prejudicada para quem não leu o livro. Mas só por ver uma produção de qualidade, cenários e atores da nossa cidade já vale a pena. E depois esperemos o longa. Parabéns ao Fernando Espíndola, diretor do filme e à toda a equipe.

Falando em cinema e em Rio Grande, aproveito para cumprimentar também os responsáveis pelo Cine Dunas, cinema do Cassino e que agora abriu também no centro. Um grande incentivo a cultura. Uma cidade como a nossa não poderia ficar sem um cinema. Sucesso ao Dunas.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Anchova Assada - Saiu no Estadão, "Meu"!


Anchova assada. Esse é talvez o prato mais típico da minha cidade, Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Para mim é a maior atração da Festa do Mar, um evento que acontece por lá de dois em dois anos. Tem shows e mais uma série de atrações na Festa do Mar, mas eu ia é para comer anchova mesmo quando morava por aquelas bandas. Pois a iguaria é tão boa que saiu no jornal O Estado de São Paulo nesse fim de semana. Pra quem mora em cidade grande pode parecer ridículo, mas pra quem mora em cidade média ou pequena é muito legal quando a "terrinha" sai em um jornal desses, ou no Jornal Nacional. Principalmente quando é uma matéria sobre algo bom, e não nenhuma tragédia. Então, quem quiser conhecer a receita da anchova assada e de quebra saber um pouco mais sobre Rio Grande pode ler a matéria do Estadão. A matéria diz que não é possível comprar o produto fora da época da Festa do Mar, o que não é verdade. Existem lugares estratégicos na praia do Cassino onde é possível sim comprar anchova assada. Se tu andares por lá é só perguntar pra qualquer "Cassineiro" que se prese que ele te indica onde comprar anchova assada. Pelo menos no verão. No inverno realmente, acho que não tem como comprar. E também não sei por que.

A foto que ilustra este post também é do jornal O Estado de São Paulo.