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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

E as Crianças, Hein?

No último feriado da revolução farroupilha, estava eu almoçando - às 4 da tarde, horário em que se deve almoçar nos feriados - no KFC, uma das poucas redes de fast food que eu gosto quando o comportamento de um guri me chamou a atenção. O guri estava acompanhado por duas jovens senhoras. Tudo tranquilo até que o guri, do nada começou a "intimar" as mulheres:

- Ei! Como foi que vocês compraram esse lanche?! Hein?! Me diz! Foi com dinheiro não foi?!

E continuava...

- Como vocês disseram que não tinham dinheiro pra comprar o <nome de brinquedo ou goluseima ininteligível> pra mim? Vocês estão pensando o que?! Qual é a de vocês? Querem me enganar, po! Eu não sou otário não!

Dizia isso aos gritos, batia na mesa enfurecido, em uma falta de respeito absurda com a mãe, tia ou o que quer que fossem aquelas senhoras. Só faltou ele puxar uma cinta e bater nas mulheres. Inversão de papéis total. Típico exemplo do mundo moderno de situações em que "os postes estão mijando nos cachorros". E as senhoras caladas, atônitas e sem reação. Só ouvindo o discurso enfurecido do guri e comendo seu frango frito.

Nessas horas eu me pergunto onde vamos parar. Quando vemos crianças dando tiro em professor, desrespeitando tudo e todos é um tanto preocupante. Não entendo o que acontece. Ou sempre foi assim e só agora estou vendo isso ou a coisa está realmente indo de mal a pior. Falta energia aos pais para educar. Falta tempo quando ambos trabalham. Falta fibra. Falta conversar com a criança. Ensinar os limites. Acho que definitivamente a televisão está falhando em educar nossas crianças. A televisão atinge bem seu objetivo que é vender brinquedos, mas para educar não serve. Precisamos passar mais tempo e tempo com maior qualidade com nossos filhos. O Brasil definitivamente precisa de uma revolução na educação. Tanto na educação formal quanto na educação em casa.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Scuola

Com a chegada das gurias aqui na Itália, uma das primeiras providências que tive que tomar foi colocá-las na escola. Felizmente, dados os meus parcos recursos de estudante de doutorado, o ensino aqui na Itália ainda é público. Salvo pessoas muito ricas, todos os italianos estudam gratuitamente na escola pública e com qualidade (espero).

O sistema escolar italiano é formado por 5 anos de "scuola elementare", depois três anos de "scuola media" e por fim mais 5 anos de "scuola superiore". A escola superior pode ser uma escola profissionalizante, pra quem quer aprender uma profissão e sair da escola trabalhando ou o que chamam de "liceo", que é mais ou menos como o segundo grau no Brasil (ainda chamam de segundo grau?) e é a opção para quem pretende fazer universidade depois. O "liceo" se divide em "liceo classico" e "liceo scientifico". O último tem maior enfase em ciências e matemática, e o primeiro em "cultura geral", incluindo coisas extremamente interessantes, mas de utilidade questionável, como o idioma grego. Já o latim é ensinado tanto no liceu clássico como no científico.

A Mariana está na escola primária ("elementare") e a Brenda na escola média. Achei legal que ambas vão ter aulas de inglês e de música e, assim que aprenderem bem o italiano, estudarão também alemão. Por enquanto elas têm aulas extras de italiano nos horários em que os colegas fazem alemão. A escola forneceu gratuitamente duas ou três dezenas de livros para as meninas. Não vai ser por falta de livros que elas não vão aprender. O ensino de religião é opcional. Dado que elas próprias optaram por ter aulas de religião e por eu achar que a religião tem um certo valor cultural, acabei optando por matriculá-las também no ensino religioso. Confesso que tive dúvidas quanto a isso. Alguns italianos são "católicos demais", mas creio que posso orientá-las da melhor forma em casa. Os profissionais de ensino e a primeira impressão que tive em ambas as escolas foram muito boas. O primeiro dia de aulas delas também correu bem. Sem nenhum contratempo. Vamos ver como elas se adaptam nos próximos dias.