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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Bélgica


No feriadão da Páscoa (anda atrasado esse blog), fui com o Clodoaldo, a Lia e a Tati para a Bélgica. Alugamos um carro para circular por lá, já que entre quatro pessoas sai mais barato que andar de trem. Assim conseguimos conhecer quatro cidades. São todas próximas umas das outras, já que a Bélgica não é muito grande. Visitamos a capital Bruxelas, que também é a capital da União Européia; a cidade de Brugge, que mantém praticamente intacta uma bela arquitetura medieval; a cidade portuária da Antuérpia e a cidade de Ghent.

Em Bruxelas, visitamos o atomium (foto), que representa um cristal de átomos de ferro ampliado alguns milhões de vezes. Não entramos, mas em cada uma dessas esferas existem espaços para exposições e eventos. Visitamos também o jardim botânico e passeamos bastante pela cidade. Brugge foi a cidade preferida por todos. Com uma arquitetura bem diferente, canais no meio da cidade lembrando um pouco Veneza, embora os prédios sejam completamente diferentes. Muito legal o ambiente, com pessoas batendo papo e se divertindo pelo centro. Muitos músicos de rua tocando instrumentos inusitados, enfim, um ambiente legal mesmo. A Antuérpia também é um lugar bem agradável. Demos uma caminhada pela orla do segundo porto mais antigo da Europa e conhecemos o centro desta bela cidade. Ghent prometia como atrativo uma vida noturna agitada, já que é uma cidade repleta de estudantes, mas provavelmente por ser feriado a cidade não nos pareceu tão interessante quanto esperávamos. De qualquer forma, comemos um belo jantar tailandês e jogamos uma partida de boliche em um bar. Durante esse jogo, minha irmã ganhou o simpático apelido de "Tati Marretada". Foi divertido.

As especialidades da Bélgica são os chocolates, as cervejas e batatas fritas. Provei os três e confirmo que a fama não é por acaso. Quem for tem que provar essas três coisas. Todas as cidades que visitamos são repletas de bares, lojas de chocolate e lugares onde se pode comprar fritas. As melhores fritas que comemos foram em um trailer que ficava em um parque de diversões montado em Brugge. A maionese também era sensacional. Não conseguimos provar todos os mais de 200 tipos de cervejas do lugar, mas entre as que provamos, elegemos a Duvel como a melhor delas.

Cena típica vivida por nós: em um bar em Brugge, começamos a conversar com um cara com um bigode estilo Asterix e uma cara de quem passa a vida bebendo cerveja ali naquele bar. Uma figura. Falamos, entre outros assuntos, da memorável participação do Brugge na Champions League em 77-78, quando chegou a final. Esse cara estava tomando a cerveja Palm e lá pelas tantas algum de nós iniciou o seguinte diálogo:

-Hm, you drink Palm.
-Yes, do you know why? (enfático)
(Evidentemente ninguém fazia a menor idéia)
-To stay calm!

Não sei se o diálogo consegue passar uma idéia da cena, mas a Palm, que em meio a tantas cervejas belgas é uma cerveja boa, porém "comum", ganhou um status importante no nosso grupo. E possivelmente quando algum de nós estiver nervoso, pensaremos em abrir uma Palm.

quinta-feira, 27 de março de 2008

O Mundo Dá Voltas



Há menos de um século, a Índia era uma colônia do Reino Unido. E agora, a indiana Tata Motors acaba de comprar as duas grandes marcas britânicas Land Rover e Jaguar. Interessante.

Falando em Reino Unido, ontem eu vi na BBC a visita do presidente Francês Sarkozy a Rainha da Inglaterra. Apareceu até a rainha fazendo um discurso sobre a amizade entre os dois países. Legal. Foi a primeira vez que eu vi a Rainha dizer alguma coisa. Usava uma coroa e tudo. É bem fascinante ver essas tradições meio que medievais ainda existirem em meio ao mundo "moderno". Como prova de amizade, o Sarkozy disse que vai mandar mais tropas para o Afeganistão. É, a guerra é outro costume medieval que insiste em nos acompanhar no mundo "moderno".

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Eu Quero Churrasco!

Sinto muita falta deste que, pra mim, é o melhor prato da culinária mundial. Felizmente pude degustar um em Lisboa. Única cidade que eu fui na Europa que conta com várias churrascarias a preços humanamente aceitáveis. Vejam essa notícia. A carne no Brasil, que já é absurdamente barata, vai ficar mais barata ainda, graças ao embargo da UE. Embargo político, como diz a notícia, para que a Europa tenha que comprar a carne cara da Irlanda e da Escócia. Sacanagem. O Brasil e o RS cumprem as exigências sanitárias, têm um produto mais competitivo e mesmo assim são barrados por medidas protecionistas.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Euro 2008

A Euro 2008 será disputada na Áustria e na Suiça. Trata-se do campeonato de futebol de seleções da Europa. Me disseram que aqui o certame é visto quase como uma copa do mundo. Pra ser sincero, só falta O Uruguai, o Brasil e a Argentina pra ser "praticamente" uma copa do mundo. Escrevo sobre isso hoje por que, para minha grande alegria, Portugal garantiu sua classificação para a competição ontem, após um empate com a Finlandia. Simpatizo com o Felipão e tenho uma avó portuguesa de que gosto muito. Minha irmã está em Portugal e existe a possibilidade de que nós dois venhamos a ser cidadãos portugueses futuramente. Embora eu nunca deixaria de ser um orgulhoso cidadão brasileiro, em primeiro lugar. Mas enfim, na Euro definitivamente sou Portugal. Também vão estar lá outras grandes seleções como Alemanha, Itália, Espanha, Holanda e França. A Inglaterra, que dizem ter inventado o futebol, perdeu ontem para a Croácia e ficou de fora.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Livro da Vez: A Familia Frank que Sobreviveu - Gordon Frank Sander

Não adianta. A segunda guerra mundial é um acontecimento que, não importa o quanto eu leia ou quantos filmes a respeito eu assista, eu não consigo entender. Como pode ter sido possível um governo de um país civilizado e desenvolvido deliberadamente exterminar milhões de pessoas? Milhões de pessoas inocentes, cujo único crime era pertencer a uma religião específica.

Este livro fala sobre a experiência de uma família de judeus alemães durante a segunda guerra. Essa família fugiu para a Holanda quando Hitler assumiu o governo alemão. A decisão de fugir foi tomada na hora certa, mas para o lugar errado, já que alguns anos depois a Holanda seria anexada ao Reich. O título do livro faz analogia à família de Anne Frank. Que, de maneira semelhante à família retratada no livro, fugiu para a Holanda e, quando a Alemanha conquistou a Holanda se escondeu na clandestinidade. A família do livro sobreviveu, ao contrário da de Anne Frank (da qual só sobreviveu o pai). Anne Frank é conhecida por ter deixado um diário contando suas experiências naquele período conturbado. Tal diário é leitura obrigatória em escolas aqui na Europa. Talvez isso contribua para que algo do gênero não volte a acontecer. Talvez.

Aquela guerra teve um impacto sobre a Europa que ainda hoje se pode sentir. Certa vez, no ônibus, eu não sei nem por que, mas um senhor italiano começou a gritar e xingar um outro cara de fascista. E a dizer que os estrangeiros trabalham e ajudam a Itália a ser o que é. Eu imagino que o tal cara tenha tomado alguma atitude preconceituosa contra algum estrangeiro. O fato é que o tal senhor estava indignado e chamou o cara de fascista e desatou a falar de todos os males que o fascismo causou aos italianos. Outro dia, tomando cerveja com amigos na Piazza Duomo, um senhor de certa idade chegou na nossa mesa perguntando se sabíamos que o fascismo ainda existe na Itália. Respondi que achava que não, que era coisa do passado. Ele, meio indignado, procurou justificar a nossa "ignorância" dizendo algo como: "hmpf, não são italianos, não sabem de nada..." Alguns dias depois, vendo no Le Iene uma reportagem sobre quem seria a "madrinha dos caminhoneiros" da Itália, um dos caminhoneiros entrevistados não tinha nenhum pôster de mulher nua ou seminua na boléia. Mas tinha um pôster do Mussolini. Aquilo me fez pensar que talvez o velhinho paranóico que veio falar conosco na Piazza Duomo tenha alguma razão. Espero que não. Ainda vou ler algum livro italiano sobre fascismo. Já me indicaram "O Jardim dos Finzi-Contini" de Giorgio Bassani e "Cristo parou em Eboli" de Carlo Levi.

Eu gostei do estilo de narrativa de "A Família Frank que Sobreviveu". Ao mesmo tempo que descreve o drama da família, o livro apresenta a situação econômica, política e militar da Europa no período. Em especial, claro, da Alemanha e da Holanda que são o insólito pano de fundo do relato. Detalha bem o período de depressão econômica e hiper-inflação vividos pela Alemanha após a primeira guerra e que ajudam a explicar o inexplicável da segunda.

Vale ressaltar que o autor do livro é neto dos pais da tal família Frank, e filho de uma das moças que viveram o drama na Holanda. Ou seja, o autor também é um membro da família Frank. Felizmente em um período mais recente. Eu não li "O Diário de Anne Frank". Mas acho que deve ser um belo livro que lerei quando tiver oportunidade. Provavelmente seja até melhor que este livro que estou recomendando aqui, já que é um relato "ao vivo", de alguém que estava lá. Mas só lendo o diário pra saber. Só sei que "A Família Frank que Sobreviveu" é uma ótima leitura.

"A Família Frank que Sobreviveu" no






Ou em inglês na Amazon

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Αθήνα

Mais uma viagem pra contar. Esse blog vai acabar mudando de nome para "Pé na Estrada" ou algo assim. No fim de semana passado eu e a Tati fomos a Atenas, na Grécia. Um lugar muito legal.

A primeira coisa estranha (e pra mim divertida) que se nota é que os caras usam um alfabeto bem diferente do nosso. Aí tu chegas no aeroporto e tens que descobrir que queres pegar um trem para Αθήνα (Atenas). Quem sabe um pouco de matemática leva vantagem, pois muitas das letras são comumente usadas em equações. Todo mundo conhece o π (pi), e quando tem um π na palavra basta pronunciar como se fosse um "p". Uma letrinha que confunde é o ρ, que parece um "p", mas é "ro", e se pronuncia como "r". Lá pelas tantas, lendo e ouvindo a "próxima estação" no trem é que eu me dei conta disso. Abaixo o alfabeto completo pra quem quiser conferir. Os engenheiros vão reconhecer muitas letras e relembrar as aulas de cálculo, física, ALGA, robótica...bons tempos.


Chegamos na sexta a noite e só deu tempo de bater um rango e ir dormir. No outro dia a Acrópole nos esperava. Falando em rango, comemos muito bem na Grécia. Vale a pena provar uma moussaka (μουσακάς). Também recomendo a Mythos e a Alfa (Aλφα), cervejas locais.

No sábado fomos para a Acrópole, o cartão postal da cidade. Um lugar realmente fascinante, com templos e construções (ou ruínas de templos e construções) de mais de dois mil anos atrás. O principal monumento ali é o Parthenon, dedicado à deusa Atena. Muito legais também os teatros como o teatro de Dionísio. Teatros a céu aberto onde há mais de dois mil anos já existiam peças teatrais. Eu sentei ali e fiquei imaginando o Sócrates ou o Platão discursando naquele palco. Tá, eu viajo. Eu sei. No teatro de Dionísio, o visitante pode se sentar na arquibancada, ou o que sobrou dela, mas não pode entrar no palco e nem sentar em umas cadeiras que ficam mais a frente, onde provavelmente sentavam-se os VIP's da época. O curioso é que um cachorro dormia tranquilamente no meio do palco onde nós, humanos, não podemos pisar. Aliás Atenas é a cidade da Europa onde mais vi cachorros na rua. Talvez seja a única que não implantou algum sistema de carrocinha. Fotos da Acrópole, do teatro de Dionísio e do cachorro filósofo no Picasa.

Depois da Acrópole, fomos a um lugar chamado antiga "Agora". Ali mais ruínas de prédios antigos, mas provavelmente menos antigos que os da Acrópole. Tinha até uma igreja cristã, que obviamente não pode ser de antes de Cristo ;-).

Estávamos em um museu na tal de antiga Agora, admirando algumas peças de 1300 AC quando eu ouço uma voz surgida do nada: "Tati?". Tratava-se do Alex, um amigo da Tati dos tempos da Universidade que, por acaso, encontramos em Atenas. Uma frase dele resumiu muito bem esse encontro: "O mundo é uma ervilha." Muito gente boa o Alex, e também a namorada dele Eve, que é grega e nos contou um pouco sobre a vida na Grécia. Aprendemos por exemplo que a principal religião na Grécia atual é a igreja ortodoxa. Que os gregos adoram aliviar o stress usando Kombolóis e que todos jogam gamão extremamente bem e com uma rapidez quase sobrehumana. Acabamos saindo no dia seguinte com o casal e mais os amigos Vangelis e Panaiotes para beber Ouzo. Uma bebida destilada de aniz, outra coisa que quem vai a Grécia tem que experimentar. Foi muito bom, e muita sorte poder, estando na Grécia, interagir com gregos que não sejam garçons, taxistas ou outros profissionais do turismo.

Demos uma passada também pelo estádio olímpico onde o Vanderlei Cordeiro de Lima chegou em terceiro na maratona das olimpíadas de 2004, depois de ter sido agarrado pelo padre irlandês maluco. Mais um belo lugar. Arquibancadas branquinhas. Aliás é impressionante como Atenas é branca. Chegando de avião a gente já percebeu que a cidade é mais branca que as outras cidades. Talvez para manter a tradição das construções antigas que eram em mármore ou em pedras predominantemente brancas, mesmo os prédios modernos são, em sua maioria, predominantemente brancos. Proporcionando uma bela vista da cidade, seja do avião ou da acrópole, que fica em uma colina, mais alta que o restante da cidade. Aliás, "acrópole" quer dizer "cidade elevada".

No domingo fomos até o templo de Zeus Olimpico e depois para o templo de Poseidon, o deus dos mares. Muito bonito o templo e com uma bela vista do mar Egeu. A Tati chegou a dizer que o lugar é o paraíso. Muito bonito mesmo. Interessante que o Poseidon é o mesmo cara que o Netuno, só que Netuno é o nome dado pelos romanos, que não poderiam aceitar que seus deuses tivessem o mesmo nome dos gregos, mas que talvez não tivessem a mesma criatividade para inventar deuses novos. Ares, deus grego da guerra virou Marte para os romanos, Afrodite virou Venus e por aí vai...até comprei um livro de mitologia pra entender qual é a desses deuses e deusas.

Depois fomos até uma prainha ali perto curtir o tal mar Egeu. E para encerrar tomamos banho em águas termais na região. Foi um belo domingo.

Segunda-feira pela manhã demos uma passeada no bairro de Plaka, onde compramos Kombolóis. Pena que o fim de semana passou tão rápido. Ficou um gostinho de quero mais Atenas. Muito legal. Não deixem de ver as fotos.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Férias!

Buenas, chegaram as férias. Duas semanitas, mas acho que serão suficientes para recarregar as baterias. Vai ser muito bom rever meus pais e minha irmã. O roteiro é mais ou menos o seguinte: Trento -> Milão -> Londres -> Paris -> Roma -> Barcelona -> Trento. Estou levando o notebook na viagem, mas como estarei de férias não creio que atualizarei com frequência. Talvez escreva um ou outro post aleatório, mas não garanto nada. No início de agosto, quando eu estiver de volta, com certeza lhes conto as novidades.

domingo, 25 de março de 2007

Horário de Verão, União Européia e Que Venha o Vélez

Hoje começou o horário de verão por estas bandas. E parece que em toda a Europa. A Europa anda cada vez mais unida. Li em algum lugar esses dias que a chanceler da Alemanha está propondo até um exército europeu. Acho muito legal a integração, desde que no longo prazo não afete a identidade de cada país - acho muito mais legal a Europa tendo franceses falando francês e tomando champagne, italianos falando italiano e comendo pizza, Irlandeses bebendo "pints", holandeses liberais e assim por diante - do que a Europa se tornar uma espécie de "Estados Unidos da Europa".

Eu sempre gostei de horário de verão. É muito bom ter mais uma hora de sol todos os dias. O problema é que isso faz com que a diferença de horário para o Brasil seja de cinco horas. É a pior situação possível para se comunicar com a base. E Inteer x Vélez Sarsfield na próxima quarta-feira vai ser na alta madrugada. Mas vou estar ouvindo a Gaúcha ou a Guaíba do mesmo jeito. Esse é o jogo. AGORA É GUERRA!

quinta-feira, 15 de março de 2007

Iogurte e Piás

Já que não dá para falar de futebol hoje, vamos falar de iogurte. Eu já tinha ouvido falar que o iogurte daqui é muito melhor que o brasileiro, mas nunca comprava. Ficava naquela: "iogurte é iogurte, e eu não sou muito de iogurte..." Agora, quebrado e tendo que maximizar a quantidade de nutrientes prontos para o consumo (cozinhar com uma mão só é difícil), eu comprei iogurte. E realmente os caras fazem iogurte bom pra caramba. Cremoso, ao contrário do nosso aguado. E quando dizem que tem "polpa de fruta", são pedaços grandes de morango, ao contrário do brasileiro que vem com "traços" de morango, no máximo. É, mais uma coisa boa aqui: iogurte. Não é assim um churrasco, mas é iogurte de verdade. Tá, sobre futebol: ainda temos chance. Se ganharmos os 2 jogos do Beira-Rio ainda dá. O problema é Michel, Wilsão, Gabiru e Maicon no time titular. Aí complica Abel.

Hoje peguei o ônibus junto com uma piazada que vinha voltando do colégio. A piazada corria pelo ônibus e eu só esperando a hora que algum deles iria dar uma "porrada" no meu braço machucado. Um piazinho, de uns 6 ou 7 anos, do nada, simplesmente deu uma cuspida na cara de uma guria de uns 12. A guria não fez nada, nem falou nada, só ficou se limpando na manga da jaqueta. Piá é piá...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Diferenças da Europa para o Brasil

Algumas coisas acontecem aqui e, infelizmente, não no Brasil. Hoje eu estava esperando o ônibus e a senhora do caixa do supermercado, do nada, parou pra me oferecer uma carona. Se ela não me fala que me conhece do supermercado eu nem saberia quem é. Isso dificilmente acontece no Brasil por dois motivos: 1. Caixa de supermercado no Brasil dificilmente tem carro; e 2. Se tiver carro não pára pra oferecer carona pra qualquer cliente, ainda mais um cabeludo que vive comprando cerveja, pois tem medo de ser assaltada. Conversando no caminho pra cá ela descobriu que eu sou brasileiro, e aí me disse que já esteve em Buenos Aires e no Chile, mas que ainda não foi ao Brasil. Quer dizer, aqui o caixa de supermercado além de ter carro ainda faz viagens intercontinentais. Em Rio Grande, um caixa de supermercado quando muito consegue sair de Rio Grande por uns dias. Nada contra os caixas de supermercado, muito antes pelo contrário. Acho que é uma profissão digna como qualquer outra e que mereceria um salário decente no Brasil como temos aqui.

A senhora que serve cafézinho na faculdade, por exemplo, pratica mergulho. Um esporte caríssimo. Ela expõe suas fotos subaquáticas na sala do café. Alguém me disse que um curso de mergulho no Brasil custa uns R$ 2000. Quando que alguém que serve café no Brasil vai poder praticar um esporte desses? Em conclusão, a diferença entre o Brasil e o primeiro mundo que eu quero destacar é que aqui tu podes escolher o que queres fazer da vida. Aqui tu podes escolher trabalhar no supermercado, ou no café, ou na pizzaria, ou dirigindo um ônibus e vais ter teu carrinho, vais poder viajar de vez em quando, enfim, vais ter uma vida digna. No Brasil pra ter essas coisas básicas tens que te especializar muito mais. Uma pena. Mas o Tom Zé canta que quando o petróleo acabar o Brasil vai ser a nação mais rica do mundo. Tomara.