segunda-feira, 2 de março de 2009

Qual o Sentido da Vida?

Tem dias em que eu acordo meio filosófico. E esse blog tem alguma coisa de filosófico também, nem que seja filosofia de boteco, o que também é muito bom. Então eu gostaria de propôr aqui a clássica pergunta filosófica:

Qual o sentido da vida?

Não que eu espere encontrar uma resposta para isso em um comentário de blog, mas acho interessante ouvir opiniões a respeito. Antes, porém permitam-me colocar algumas hipóteses de resposta. Já li algumas coisas, viajei, conheci pessoas e culturas e vivi alguns anos. Tenho essas hipóteses que vou enumerar, mas ainda acho que estou longe de responder a pergunta. Dêem uma olhada e me digam o que vocês acham.

A Biblia me diz que o sentido da vida é Deus. Eu acreditei nisso por um bom tempo. Da infância até algum momento da adolescência. Mas a verdade é que nesse período eu nem me importava muito em existir ou não um sentido na vida. Talvez o melhor seja mesmo não se importar. "Ignorance is bliss". Crianças geralmente são felizes dessa forma. Mas hoje eu não acredito mais que tal sentido esteja em Deus. Não vou me prolongar aqui pois dizem que "religião não se discute", e eu não confio muito em coisas que "não se discute".

Muitas músicas e poesias me dizem que o sentido da vida é o amor. Pode ser que sim. Acho esta hipótese válida e ainda não desisti de testá-la. Mas eu ainda não encontrei o sentido da minha vida, se esse sentido é o amor.

O capitalismo selvagem explica que o sentido da vida é acumular capital, bens, títulos, influência, poder. Eu vejo isso com ceticismo. Eu não acho que o sentido da vida esteja em acumular "coisas". As coisas podem nos dar algum conforto, deixar nossa vida mais prática. Talvez um pouco mais prazerosa, mas não acho que dêem um sentido a ela.

Outros dizem que o sentido seria o trabalho. "O trabalho dignifica o homem". Mas o que é o trabalho em essência? Salvo trabalhos muito específicos, trabalhar é produzir coisas. Produzir conhecimento, produzir software, produzir sofás, o que for. Coisas que satisfazem a demanda sugerida a pouco pelo capitalismo, mas já concluímos que o sentido não pode estar nas coisas. Pelo menos não pra mim. Pra ti pode? Uma vida mais ou menos confortável continua sem sentido da mesma forma. Ou não?

Outros ainda afirmam que o sentido é a família. Seria uma extensão do que eu chamei de amor acima, mas de uma forma mais rica e abrangente. De fato uma ter uma filha dá muito sentido a minha vida, e é uma imensa alegria pra mim. Mas acontece que nem sempre as famílias dão certo como uma unidade. Sempre há as brigas, os membros que dividem em vez de unir. Mas esta é definitivamente uma das hipóteses que considero plausíveis. Uma família pelo menos permite uma continuidade, de certa forma.

O Freud diz que a vida é um sofrimento sem muito sentido. Um eterno conflito entre o homem e a natureza. Um eterno conflito entre o instinto e o superego. Entre a vontade animal e a civilização que nos protege e ao mesmo tempo nos reprime. É meio pessimista. Meio triste, mas as vezes parece que o Freud tem razão. Neste caso não há sentido. Apenas um conflito que o homem está fadado a perder para a morte.

O existencialismo diz que o sentido da vida é a liberdade de pensamento, de decidir o que é melhor para si mesmo. Esta visão me é simpática. É muito bom ser e sentir-se livre. É muito bom decidir. Embora as vezes as decisões sejam difíceis, e nossa liberdade sempre limitada, caindo no que Freud disse no parágrafo anterior.

O hedonismo diz que o sentido da vida é o prazer. A busca do prazer. Também acho um pensamento interessante. Porém, depois de várias festas, bebedeiras e afins, talvez essas coisas me pareçam um tanto efêmeras. A felicidade me parece efêmera. Talvez o sentido da vida seja essa constante busca por alguns momentos efêmeros.

Talvez o sentido esteja no convívio social. Em uma roda de chimarrão, um poquer com os amigos, aquele churrasco do fim de semana. Talvez sim. Alguns dos melhores momentos são assim. Mas de novo, efêmero.

Dá pra unificar muitos dos parágrafos anteriores, na palavra felicidade. O sentido da vida seria a busca da felicidade. O sentido da vida seria uma vida feliz. Mas a felicidade é sempre efêmera. A felicidade pra mim são momentos. Doses homeopáticas. Teria a vida um sentido efêmero. Seria algo que deve ser buscado a cada dia. A cada minuto. Uma eterna busca de uma felicidade que nunca vem pra ficar?

Seria o sentido da vida tudo isso? Nada disso? Eu não tenho idéia. Alguém arrisca um palpite?

A quem se prestou a ler até aqui, e a quem quiser opinar, meu muito obrigado.

17 comentários:

Juliana disse...

Qual o sentido da vida? Esta pergunta me parece tão retórica às vezes... mas eu acho que cada um tem para si uma resposta, cada um pensa de uma forma. E vou dizer a minha opinião.

No meu mundinho tão pequeno, o sentido da vida e dar e receber amor, ajudar os necessitados (mesmo que não tenhamos muito a oferecer, a mínima coisa que pode nos parecer pouco, para eles é muito e de grande valor) e ser feliz, mesmo com toda a dificuldade que passamos, problemas de saúde e com toda a injustiça que há no mundo.

Posso parecer muito otimista, mas se todos fôssemos pessimistas, qual seria o sentido da vida? Ou melhor, acabaríamos por pensar como Freud e não fazer nada para melhorar.

Eu sei que não contribuo muito para ajudar as pessoas, às vezes sou muito egosísta e acabo sendo guiada pelo capitalismo, mas procuro sempre ajudar no que posso, mesmo com uma mínima contribuição.

Amor, respeito e assistência às pessoas (mesmo àquelas que não conhecemos) a fim de transformar o mundo menos sofrido é um dos meus sentidos da vida. Mas talvez esteja sendo utópica demais... bom, melhor assim, continuo com a minha ingenuidade, quem sabe um dia as pessoas comecem a pensar assim...

Andréia Alves Pires disse...

Eu li. Eu sempre leio... e tô aqui pensando no que dizer, acho que um pouco disso tudo, felicidade, prazer, liberdade, buscar, buscar...

assim que souber responder, volto aqui. Por hora: acho freud um saco. :P
bjo, bjo!!!

Leonardo disse...

Eu queria deixar os comentários pra a galera se manifestar, mas com esse comentário da Andréia eu preciso pedir por favor que ninguém julgue o Freud por esse parágrafo que eu escrevi aqui sobre ele. O cara é genial e merece ser lido ;). Beijo Déia!

Freak disse...

O sentido da vida é ser feliz. Bem do jeito que a gente é.

Karen disse...

É a primeira vez que posto aqui e creio que como vocês não me conhecem ainda vão pensar o que essa doida está dizendo, mas esse é um tema que eu gosto então vou arriscar...
Para mim a pergunta não é qual é o sentido da vida, é porque a vida tem que ter um sentido? Porque a gente tem que viver com essa idéia de que as coisas acontecem por uma razão ao invés de simplesmente acontecerem?
Fazendo uma comparação entre as idéias de Lamarck e Darwin sobre a evolução, Lamarck achava que a girafa (espécie) ficava mais alta ao longo do tempo porque esticava o pescoço. Darwin descobriu que ela ficava mais alta por acaso e que, ocasionalmente, aquela mudança poderia conferir uma vantagem adaptativa.
Muita gente questiona Deus com o argumento de que porque Deus criaria um planeta e uma espécie com tanta miséria, dificuldade? Mas, e se não tiver porque? Ele criou um mundo que tem coisas ruins e coisas fantásticas, só. Se a gente conseguisse viver, pelo menos em relação a nossa vida, sem essa obrigatoriedade de ter que explicar tudo, o fim de um relacionamento seria só o fim, uma tragédia financeira seria o que é, uma tragédia, enfim... Vou ter que escrever um texto inteiro sobre isso, mas se a gente se libertasse dos porquês, pelo menos da necessidade de buscar motivos em tudo, o sentido da vida seria somente esse, viver. E quer felicidade maior do que a que a gente sente quando se sente vivo?

Leonardo disse...

Muito bem vinda Karen. Doida porque? Concordo contigo quando citas o Darwin. Sou fã dele também.

Também penso que talvez não tenha que ter um sentido mesmo. A não ser essa busca da felicidade que parece ser para onde estamos convergindo. Talvez, ou até provavelmente, a busca de um "sentido" seja só um egocentrismo humano. Talvez Freud esteja certo, afinal.

Não concordo quando afirmas que Deus criou o mundo. Não posso ter essa certeza já que nem sei se ele existe. Mas, se ele criou, acho que deveria ter um propósito. Quem cria, em geral cria para algum fim. Freud não acredita em Deus. Parece contraditório tu acreditares em Deus e na ausência de um sentido (como Freud). É a primeira pessoa que vejo ter uma opinião assim.

Adoro posts comentados como esse. Talvez eu devesse falar mais de filosofia aqui. Muito obrigado pela participação de todas!

Suita disse...

Fala bruxu

Acredito que o sentido da vida seja algo "mutante", inteiramente ligado as nossas necessidades. Isto se chama evolução,talvez seja meio cético o que eu for escrever e para um cara científico como tu fique meio pé atrás, mas é neste aspecto que releciono a nossa existência na terra: evoluir. Seja como pessoa, pai, amigo, marido, trabalhador, enfim,trilhamos um caminho interagindo com relações sociais, humanas,psicológicas, etc.
A cada ano, dia, nossas vontades mudam. Já perguntasse para alguém como ela se sente hoje? Com certeza muitos irão sentir falta de algo, como amor, dinheiro, saúde. Eu mesmo agora estou morrendo de calor e queria estar numa sala com ar condicionado ou um emprego decente que me proporcionasse viajar para uma ilha paradisíaca.
Enfim, posso estar viajando, mas o ser humano é deveras um infeliz.O segredo talvez esteja em usufruir tudo aquilo que adquirirmos em nossas vidas, sejam bens materiais ou não. Use, crie,divirta-se, viva!!

Brasil na Italia disse...

Oi Leo,

Gostei muito do tema deste post, é realmente interessante.

Acho que a pergunta fundamental é "PARA QUE" fomos criados?

O objetivo da natureza seria sempre o de continuar a especie e portanto procriar. A paixao, atraçao sexual, o prazer sao meios para fazer a especie continuar.

No entanto, a unica coisa que faz realmente sentido nessa vida eh o amor. Todo o resto eh substituivel, mas nada completa tanto a alma do que poder dividir uma parte do seu eu.

O amor a dois eh ainda mais especial. Existem muitos casais que se casam, muitos que procriam, mas pouco que realmente se dedicam ao amar. Talvez o erro seja dar prioridade para coisas que nao sao tao importantes como o trabalho (que possibilita comprar o carro novo, por exemplo), ou a farra com as dezenas de amigos (prazer passageiro).

Enfim, ou talvez seja apenas esse o sentido deste momento da minha vida (mas se continuar assim pra sempre, ta otimo!).

Boa quarta-feira para vc.

Leonardo disse...

Muito gratificante receber tantos comentários tão inteligentes e fundamentados. Estou muito satisfeito com todos. Obrigado mesmo.

Rodrigo, não tem nada de esotérico no que tu falaste. Eu concordo. De fato aprendemos e amadurecemos (evoluímos) todos os dias. E faz muito sentido que nossos interesses e objetivos mudem ao longo do tempo.

Bárbara, sobre a natureza nos "programar" para a perpetuação da espécie, estou de pleno acordo. Assim ensina a seleção natural do Darwin. Recomendo o livro "O Gene Egoísta", do Richard Dawkins também. Segundo Dawkins o que move o mundo é o gene, que usa os indivíduos como meras ferramentas para se perpetuar. É uma visão muito interessante. Fascinante até. E se Dawkins está certo, então até o amor pode ser um mecanismo extremamente sofisticado (para nosso cérebro também extremamente sofisticado) destinado a esse fim de perpetuar os genes.

Débora Freitas disse...

Acho que não buscaríamos um sentido na vida, se ela nela não existissem tantas tristezas pra nos questionar.
Sei lá, penso que a gente só procura um sentido pra vida quando tá ma merda, como eu, por exemplo. Nos momentos que eu estive feliz, nem pensava nisso.
Tavel o sentido da vida seja como a felicidade em si: esteja em momentos, e não no fim da linha.


Já tinha lido teu texto lá na comunidade de Rio Grande.

Abraço!

Leonardo disse...

Não sei Débora. Eu consigo imaginar e até já tive conversas filosóficas que considero momentos bem felizes. Claro que quando estamos em momentos de êxtase não questionamos nada. Mas sabemos que esses momentos são raros. E talvez, apenas talvez, a vida fosse um pouco monótona se fosse constituída de um único longo êxtase.

Sobre "estares na merda", eu também as vezes me sinto assim. Mas procura ver o lado positivo das coisas. Sempre tem um lado positivo, não tem? Espero que melhore a situação pra ti. Se quiseres conversar estamos aí, ok? Beijo. Te cuida.

Suita disse...

O assunto está rendendo heim!! É bastante complexo mesmo, das mais variadas opiniões. Lembra quando falávamos das necessidades básicas do ser humano? Pois é, acredito ser essa nossa existência, pura e simples.
Bah, mas é banal, tedioso. Sim, na vida precisamos de
desafios.Precisamos ter capacidade de filtrar, ter o senso crítico dos acotecimentos que nos cercam. Na vida tudo tem um porque.Somos o que somos, temos o que merecemos. Por que simplesmente não vivemos felizes? O que temos não é suficiente e belo e o do vizinho é sempre melhor.
Não estou dizendo que é para esquecer os projetos de vida,ambição, mas parar de encucar com coisas que não cabe a nós explicar. Acima falei que somos muitos infelizes, e agora digo que curiosos também. Por isso o apego às religiões, a ciência. A origem do universo,o apocalipse, a morte, a evolução da espécie, entre outros assuntos permeiam a imaginação humana.
Eu tento seguir a cartilha de viver o presente, fazer dele o futuro. A vida passa rápido, não quero perder tempo ou sofrer por antecipação. Pode ser uma visão egoísta,porém não quer dizer que eu seja leviano com a vida, o meio ambiente, a violência etc.
Eu poderia resumir com a citação de uma grande banda que passou( que os púdicos me perdoem): "Viver, fumar; Comer, cagar. São as leis da natureza e ninguém vai poder mudar."

Abraços Leo Ramone

.Kel. disse...

Sabe uqe deu até nó na cabeça tanta coisa junta??? Talvez o sentido da vida seja simplesmente criarmos discussões cheias de devaneios para refletirmos sobre assuntos pouco fundamentados e ter motivos para continuar com outros devaneios... brincar de viver deve ser o sentido... e aos poucos descobrir que tudo muda em um próximo segundo e que nada que no tinha sentido passa a ter...

eu disse que tinha dado um nó auqi nos neurônios heheh

bjs

Leonardo disse...

Acabo de descobrir que alguém digitou "PRODUZIR SOFÁS" no Google e veio parar aqui. Engraçado :D

Cris disse...

poxa, leo... to ainda mais confusa... mas ao mesmo tempo penso que é o amor mesmo... pra mim eh isso... seja ele um "instinto sofisticado" ou não... seguimos pensando... mudando... pensando... rsrsrs

essa ultima é otima... saum as voltas q o google dah...

bjks

Anônimo disse...

Meu Amigo Leonardo;

Apesar de tantas Teorias e Suposições, uma hora a Gente descobre que o Sentido da Vida é tentar se manter Vivo e viver cada Pouquinho que resta dessa "Contagem Regressiva", da melhor forma Possível.

O resto que se Fôda!


Um Abração!

Eduardo Bozzetti

Leonardo disse...

Pode crer Bozzetti, contagem regressiva. Grande presença! Valeu pelo comentário.

Abração.