Os caras não perdoam nem o Papai Noel. Desculpem o palavrão, mas "é foda".
Será que os Garotos Podres têm alguma coisa a ver com esse ataque?
SC Internacional, Ramones e Cerveja. Isso tudo existe e ainda tem quem reclame da vida.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Livro do Mês: Abusado - Caco Barcellos

Este livro mostra a realidade nua e crua do tráfico de drogas nas periferias brasileiras. Trata-se de uma grande reportagem do jornalista Caco Barcellos sobre a vida do Marcinho VP, um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro, membro do Comando Vermelho e "dono" do morro Dona Marta, enquanto estava vivo. Quem não suporta violência não deve ler. Estranho que este é o segundo livro do mês em que eu tenho que escrever esse aviso sobre violência. Será que eu gosto de ler sangue? Acho mais que eu gosto de livros que me provoquem alguma reação. Seja de medo, de revolta, de diversão ou de descoberta científica. Enfim, livros que acrescentem alguma coisa. Livros que me façam sentir que de certa forma não sou mais o mesmo cara que era antes de ler o livro, pois aprendi algo. E este livro é um belo exemplo. Têm-se uma profunda noção do que é o mundo tanto dos traficantes quanto da população comum das favelas cariocas e, imagino, da periferia de outras grandes cidades brasileiras. Recomendo. Quer um parâmetro de comparação? O livro vai mais ou menos na linha do filme Cidade de Deus. Aliás imperdível esse filme também. Pra encerrar só queria dizer que admiro a coragem do repórter de conviver com traficantes dos mais perigosos por um bom tempo pra contar esta história. Posso dizer que esse cara é realmente um jornalista. Ainda mais o Caco Barcellos, que se quisesse poderia tranquilamente passar o resto de seus dias curtindo o ar-condicionado dos estúdios da Rede Globo, sem se envolver em reportagens desse tipo.
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domingo, 1 de abril de 2007
Livro do Mês: Pornô - Irvine Welsh

Este livro é a continuação de "Trainspotting", do mesmo autor. Quem não conhece precisa ver o filme homonimo e/ou ler o livro. Bom, Trainspotting conta a história de um bando de "liquidados", viciados em heroina no Leith, um bairro da cidade escocesa de Edimburgo, cidade do autor dos livros. Tanto o livro como o filme Trainspotting são um tanto perturbadores e não-convencionais, o que torna-os interessantes. Uma cena interessante do filme mostra uma personagem totalmente sedada falando que "heroina é 10000 vezes melhor que um orgasmo". Essa citação pode dar uma certa curiosidade, mas o resto do filme/livro com certeza convencerão o espectador/leitor que não é uma boa idéia experimentar a droga. Se não lestes/vistes Trainspotting talvez seja bom não ler sobre o Pornô (próximos parágrafos), pois podes encontrar "spoilers" sobre o final do Trainspotting.
Mas esse post é sobre o "Pornô", que se passa 10 anos depois que o Renton fugiu com a grana dos outros malucos do Leith. Renton agora mora em Amsterdam, onde abriu uma boate e encontrou um certo sucesso profissional, embora sua vida amorosa continue não lá essas coisas. Os outros personagens do Trainspotting ainda não se deram bem na vida, o que não é nenhuma surpresa dada a situação dos malucos. A história se desenvolve durante a tentativa do "Sick Boy" de produzir um filme pornô, já que este ramo do entretenimento é extremamente lucrativo. Nesta empreitada o Sick Boy acaba reencontrando os personagens de Trainspotting e uma nova personagem aparece, a sexy estudante de cinema Nikki. O livro é narrado sempre em primeira pessoa, com o Sick Boy, o Renton, o Spud, a Nikki e o Frank Begbie, que está para sair da cadeia, se alternando na narração. Sick Boy, Renton e Nikki narram em inglês "normal" na versão original enquanto Begbie e Spud contam suas aventuras em "escocês". Na versão brasileira o "escocês" é traduzido para um português coloquial ao extremo e sem meias-palavras, como pode-se notar no trecho que reproduzo no fim do post.
Frank Begbie é talvez o personagem mais psicótico que eu já li. O cara é um verdadeiro marginal e ainda por cima perturbado pela neurose causada pela cocaína. É muito legal ler os capítulos em que ele é o narrador. O cara descrevendo as coisas na sua logica distorcida de psicopata como se o seu modo de ver o mundo fosse a coisa mais natural do mundo. E nesse segundo livro ele está muito mais alucinado que no Trainspotting. Evidentemente ele ainda não esqueceu que o Renton fugiu com a grana dela dez anos atrás. Diversão garantida, com exceção talvez dos que têm algum problema com violência. Aliás, quem tem algum problema moral com drogas, sexo e/ou violência não leia o livro, pois o texto é extremamente cru no que tange a esses temas. Não usa meias palavras.
Não leia o trecho a seguir se tem algum problema com violência.
Trecho: Frank Begbie chega na casa da ex-mulher bem depois de receber um telefonema dela dizendo que seus filhos Sean e Michael haviam brigado e que havia muito sangue...
"Depois de tomar uns copo eu vou até lá e vejo a June no pé da escada, discutindo com alguma vaca que dá meia-volta e se manda pra casa assim que me vê chegando. -Onde cê tava? Tô esperando um táxi! - ela diz.
- Tratando duns negócio - digo, olhando pro Michael. O viadinho tá segurando um trapo no queixo. Tá todo coberto de sangue.
Olho pro Sean e caminho na direção dele, que vai recuando e se encolhendo de medo. - Que porra cê andou fazendo?
Ela mete a bunda gorda no meio. - Poderia ter cortado o pescoço dele. Podia ter aberto uma veia, porra!
- Mas que caralho aconteceu aqui afinal?
Os olho dela quase saltam pra fora do melão, como se ela tivesse tomado alguma droga. - Ele pegou um pedaço de arame e amarrou bem esticado de lado a lado na porta, bem na altura do pescoço do Michael. Aí gritou pra chamar o moleque, dizendo que tava passando ET na televisão, aquela propaganda de telefone em que o garoto defende um pênalti do Hibs contra o Hearts, sabe? Aí o Michael veio correndo todo animado. Sorte que o outro não tinha medido direito e o arame acabou não pegando na altura do pescoço. Se tivesse, podia ter arrancado a cabeça dele fora!
Mas aí eu fico pensando que isso foi até bem massa, porque no meu modo de ver isso mostra uma certa iniciativa. Eu e o Joe vivia fazendo essse tipo de coisa um com o outro, quando a gente era pequeno. Pelo menos mostra que ele tem o espírito de fazer umas coisa prática em vez de ficar o tempo todo sentado jogando aquelas porra de videogame que nem uns moleque faz hoje em dia. Olho pro Sean.
- Tirei isso do Esqueceram de Mim 2 - ele diz.
Aí só dou uma olhada pra June, essa vadia abobalhada de merda, com minhas mãos no quadril. - Então a porra da culpa é sua - digo pra ela - deixando ele assistir essas porra de filme.
- Porra, como assim é minha...
- Mostrando esses filme de merda que ficam botando idéia violenta na cabeça dos moleque - interrompo a vadia, mas não vou discutir com ela, não aqui bem no meio da rua, porra. Porque se eu fizer isso ela vai acabar levando umas porrada e foi bem isso que estragou nossa relação, a vaca desgraçada ficava me provocando até que eu era obrigado a amassar a cara dela."
[...]
No táxi:
"O fiadaputinha continua segurando o trapo no queixo. [...] -Ele pega muito no seu pé?-pergunto.
- Sim - diz o Michael, e os olho dele tão brilhoso como os de uma menininha.
Esse viadinho tá precisando ouvir algumas palavras de sabedoria e precisa ouvir isso agora mesmo, senão a vida dele vai ser um inferno quando ele crescer. Não tem merda mais certa que essa. [...] - Olha só, não começa a chorar por causa disso, Michael. Eu era mais novo que o seu tio Joe e também levei muita porrada. Cê precisa aprender a se defender. É só arranjar uma porra dum taco de beisebol e dar uma bordoada bem no melão daquele fiadaputa, espera tipo até ele dormir. Isso vai dar um jeito nele. Funcionou com o Joe, só que no meu caso eu fui lá e quebrei um tijolo no melão dele. Ele pode ser mais forte que você, mas não mais forte que meio tijolo estourado no melão dele."
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