terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Scuola

Com a chegada das gurias aqui na Itália, uma das primeiras providências que tive que tomar foi colocá-las na escola. Felizmente, dados os meus parcos recursos de estudante de doutorado, o ensino aqui na Itália ainda é público. Salvo pessoas muito ricas, todos os italianos estudam gratuitamente na escola pública e com qualidade (espero).

O sistema escolar italiano é formado por 5 anos de "scuola elementare", depois três anos de "scuola media" e por fim mais 5 anos de "scuola superiore". A escola superior pode ser uma escola profissionalizante, pra quem quer aprender uma profissão e sair da escola trabalhando ou o que chamam de "liceo", que é mais ou menos como o segundo grau no Brasil (ainda chamam de segundo grau?) e é a opção para quem pretende fazer universidade depois. O "liceo" se divide em "liceo classico" e "liceo scientifico". O último tem maior enfase em ciências e matemática, e o primeiro em "cultura geral", incluindo coisas extremamente interessantes, mas de utilidade questionável, como o idioma grego. Já o latim é ensinado tanto no liceu clássico como no científico.

A Mariana está na escola primária ("elementare") e a Brenda na escola média. Achei legal que ambas vão ter aulas de inglês e de música e, assim que aprenderem bem o italiano, estudarão também alemão. Por enquanto elas têm aulas extras de italiano nos horários em que os colegas fazem alemão. A escola forneceu gratuitamente duas ou três dezenas de livros para as meninas. Não vai ser por falta de livros que elas não vão aprender. O ensino de religião é opcional. Dado que elas próprias optaram por ter aulas de religião e por eu achar que a religião tem um certo valor cultural, acabei optando por matriculá-las também no ensino religioso. Confesso que tive dúvidas quanto a isso. Alguns italianos são "católicos demais", mas creio que posso orientá-las da melhor forma em casa. Os profissionais de ensino e a primeira impressão que tive em ambas as escolas foram muito boas. O primeiro dia de aulas delas também correu bem. Sem nenhum contratempo. Vamos ver como elas se adaptam nos próximos dias.

8 comentários:

Anônimo disse...

Acho que você deveria ser mais grato por estar sendo tão bem acolhido em um país estrangeiro, mesmo que seja a sua segunda pátria, caso tenha a dupla cidadania. Dá a impressão que no Brasil as coisas são mil vezes melhores. O nível cultural de base no Brasil é baixo mesmo, pois questionar a importância de disciplinas como latim e religião demonstra bem isto. Desculpa, mas te achei arrogante. Coisa comum, típica de brasileiro.

Rabú disse...

Realmente você se enganou amigo, meu primo não é arrogante.

Acredito que ele esteja muito grato por terem acolhido sua família, mesmo depois de muita luta e problemas devido as burocracias exigidas pelos países europeus.

Por aqui as coisas são mais fáceis de se arrumar, pois para tudo tem um jeitinho brasileiro.

Culturalmente o Brasil é um país bom como todos outros. Melhores oportunidades como sempre, aparecem pra quem tem mais recursos financeiros.

Rabú disse...

Leo,

Agora segundo grau é conhecido como ensino médio. Mesmo assim não deixa de existirem escolas técnicas que também formam profissionais. Antigamente estes tinham o sistema mais voltado para o mundo científico, mas atualmente pelo que ouvi, existem vários módulos dependendo do curso que foi escolhido. Fazendo com que o curso seja multi-disciplinar.

Abração Gerson.

Leonardo disse...

Caro "Anônimo", sinceramente não acho que o texto tenha nada de arrogante. Trata-se de uma descrição do sistema educacional italiano. Eu não questionei a "importância" do grego e do latim, mas sim sua utilidade, no sentido de utilidade prática. Como eu mesmo escrevi no post, acho aprender estes idiomas extremamente interessante (vide meu post sobre Atenas de uns meses atrás). Em nenhum momento eu comparei a qualidade do ensino daqui com a do Brasil. Muito menos "dei a impressão" de que no Brasil seja mil vezes melhor. Já sobre religião, eu acho que tanto no Brasil quanto aqui na Itália, felizmente temos liberdade de crença. Inclusive a liberdade de não crer em religião nenhuma e não ser considerado de "nível cultural baixo" por causa disso. Eu reconheci o valor cultural da religião, e até por isso matriculei as gurias em religião, como está no texto.

Acho que isto explica que O TEXTO, a meu ver, não é arrogante. Sobre tu julgar se EU sou ou não arrogante através de um texto, sinceramente, tu me conheces pra dizer se eu sou isso ou aquilo? Eu acho que é uma ATITUDE arrogante dizer que "os brasileiros são isso ou aquilo" (disseste que os brasileiros são tipicamente arrogantes), uma vez que tu mesmo és brasileiro(a), a julgar pela maneira como escreves, e te excluis da tua própria generalização burra, como se tu foste um brasileiro melhor que os outros. Também devo dizer que acho deveras fácil postar como anônimo chamando os outros de arrogantes.

Leonardo disse...

Valeu pelo comentário Gerson. Ainda acho que no Brasil o melhor ensino médio é o técnico. Mas só acho, pois estou por fora já que ainda chamava de segundo grau ;-).

Abraço.

Jaide disse...

oi Leonardo. Li o que teu comentario a respeito da escola das tuas filhas e confesso que estou curiosa pra saber como estao se adaptando, o que mais gostam, o que a teu ver, deixa a desejar diante das tuas expectativas. Estive na Italia este ano (ferias de julho) e nao pude visitar nenhuma escola, na cidade onde fiquei, em razao das ferias de "estate". Se puder responder, eu ficarei agradecida, pois estou bastante curiosa.. Ahh..ia esquecendo, pela forma como escreveu, penso que sejas gaucho, como eu..rss

Leonardo disse...

Oi Jaide,

Em primeiro lugar, obrigado pelo simpático comentário. Sou gaúcho como tu sim guria ;).

Olha, infelizmente eu não vou poder responder muito bem à tua pergunta, pois eu acabei me separando e as gurias voltaram para o Brasil com a mãe. São coisas da vida. Acontece. O que eu posso te dizer é que no pouco tempo que elas estiveram aqui e freqüentaram a escola correu tudo muito bem. O italiano é bem acessível para nós brasileiros, e para as crianças mais ainda. Nesse tempo que estiveram aqui não tive nenhuma queixa das escolas. Correu tudo muito bem e dava para sentir que elas aprenderiam o italiano em poucos meses. Gostaria de responder melhor, mas infelizmente não posso. Obrigado de novo pelo comentário. Aparece no blog sempre que quiser.

Grande beijo.

Juliana disse...

Antes de tudo (nao querendo ser "puxa-saco"), queria defender o Leonardo. Na verdade ele nao escreveu nada de arrogante e muito menos criticou a Italia. Apenas disse a realidade...

Leonardo, eu concordo com voce a respeito das escolas na Italia. Houve um tempo que no Brasil funcionava assim (meu pai contava que até na época dele - anos 60 - escola publica era rigida e nao passava qualquer um nao). Até o Ensino Médio (o antigo Colegial, Segundo Grau) era dividido como aqui. Na minha época de estudante do Ensino Fundamental II (anos 90), até que era razoavel o ensino. Mas no Ensino Médio eram algumas disciplinas que se salvavam... sempre estudei em escola publica e, para poder entrar na USP, tive que estudar muito depois da escola.

O que falta no Brasil é o acesso à educaçao a todos. E educaçao de qualidade (assim como salarios dignos e professores preparados). Nao querendo criticar meu pais de origem, mas se tivesse mais educaçao o pais seria mais desenvolvido, acabaria com tantos problemas atuais... enfim...

Gostei dessa iniciativa de aulas particulares de italiano para as crianças estrangeiras. E a doaçao de materiais didaticos.