quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cavernas Partidárias

Nesse período pós eleições de montagem dos governos, surgiu na comunidade da minha cidade no Orkut uma discussão a respeito da escolha de ministros e secretários de governos estaduais. A questão daquele debate que eu quero apresentar aqui é a questão da importância do escolhido ter "mérito político" versus "mérito técnico". É comum a visão de que ambos são importantes.

A pergunta chave seria: Por que diabos é importante o "mérito político" em cargos como ministérios, secretarias estaduais, municipais e etc? Por que são tão (ou mais?!) importantes que questões técnicas??

A única vantagem que eu vejo na "questão política" é a capacidade de "convencer" mais deputados, senadores ou vereadores. É só isso mesmo ou eu perdi alguma coisa do que seria "mérito político"? Eu acho isso uma distorção do sistema, já que na verdade o ministro/secretário não convence ninguém que o projeto dele é bom ou ruim por "questões políticas". Ele apenas é aprovado pela cor do partido dele. Poxa, pra mim o correto seria o cara convencer a todos (ou a maioria) que o projeto é tecnicamente bom. E que os parlamentares aprovassem projetos que achassem tecnicamente bons, sem qualquer preconceito de cor partidária. Eu acho que o melhor pra população seria isso. O problema é que nenhum partido ou governo se preocupa de fato com a população. Eu acho uma distorção absurda.

Se eu fosse governo eu nomearia ministros/secretários única e exclusivamente por questões técnicas e daria preferência até por pessoas que nunca manifestaram posição partidária. Aí os parlamentares que se virassem pra de fato ter que ler o projeto e decidir se é bom ou não. Afinal eles são muito bem pagos pra isso.

Mas o sistema é tão distorcido que minha estratégia não funcionaria, pois os técnicos seriam vistos como sendo do partido do governo e os parlamentares votariam com esse pensamento, nunca com o mérito do projeto e a população em mente. Sinceramente eu acho que esse sistema político de partidos tem problemas graves. Ninguém quer pensar. É mais fácil escolher cores que avaliar projetos. É triste mas é verdade.

Então, nesse raciocínio, eu poderia fazer a mesma pergunta pro militante de qualquer partido: "Tu preferes que seja aprovado um projeto tecnicamente ruim para o Brasil do teu partido preferido ou um projeto tecnicamente bom para o Brasil do partido que mais detestas?". Não sei o que eles responderiam. Talvez respondam o que faz sentido (assumindo que querem o melhor para o Brasil). O problema é que na prática talvez eles não tomem esse tipo de decisão. O que acontece é que quando se está dentro de uma das verdadeiras cavernas de Platão que são os partidos e "ideologias" políticas, todas as ideias do partido em questão são melhores que todas as ideias de qualquer partido adversário. Isso simplesmente não pode ser verdade, a menos que exista um partido ideal e perfeito. Se existir, eu me filio agora mesmo. Mas acho difícil que exista. Nunca se observou na natureza até hoje nada que seja ideal e perfeito. Dificilmente se observaria tal coisa na política brasileira e mundial. Se concordarmos então, que não há o tal "partido ideal", a alternativa mais benéfica me parece ser analisar tecnicamente e sem partidarismo projeto a projeto. Tecnica, honesta e cientificamente escolher o melhor para a população. Mas quem acredita que algum político vai querer o que é melhor para a população em detrimento do partido dele...

2 comentários:

Jessica disse...

Adorei a comparação com a “Alegoria da Caverna” de Platão. Os partidos políticos, e mais ainda alguns militantes, tem essa visão platônica. Defendem uma sigla como se todos os projetos fossem perfeitos e melhores que as idéias dos demais partidos. Já a pergunta chave : “Por que diabos é importante o ‘mérito político’ em cargos como ministérios, secretarias estaduais, municipais e etc? Por que são tão (ou mais?!) importantes que questões técnicas??” Não concordei por completo com a tua resposta. Pelo que entendi, afirmaste que levarias em consideração exclusivamente o mérito técnico. Concordo contigo se defenderes o mérito político dentro de um conceito aristotélico (ou até maquiavélico) de política, ou seja, o exercício do poder de um homem sobre outro baseado no interesse de quem se exerce esse poder. Entretanto se entenderes política como forma de organização do Estado (entendendo o Estado como governo, território e povo) será de suma importância um conhecimento político para guiar a estrutura de governo. Explicando melhor. Como que alguém que desconhece a estrutura política, mas faz parte dela (ministros/ secretários) pode conduzir com êxito seus projetos? Da mesma forma, como alguém que não tem conhecimentos técnicos conseguiria elaborar algum projeto que prestasse? O “mérito político” ao meu ver vai além da capacidade de convencer. Vai além do marketing pessoal. O mérito político (pelo menos no mundo do “dever ser” ) é a capacidade de conduzir um Estado baseado no interesse da coletividade, do todo, é a defesa da sociedade civil de forma racional, completamente o oposto de uma defesa ideológica meramente opinativa.

Leonardo disse...

Tudo bem Jessica, nesse sentido concordo contigo. Mas aí depende da definição de "mérito político". Acho que a definição de política do senso comum e dos partidos é bem diferente da definição acadêmica ideal.